Mundo ficciónIniciar sesiónLuna passou o restante da tarde tentando encontrar uma saída.
Qualquer saída.
Mas quanto mais analisava a situação, mais percebia que sua família estava encurralada.
As dívidas da empresa eram enormes.
Funcionários dependiam daquele negócio.
Sua mãe estava doente.
E seu pai parecia ter envelhecido dez anos em apenas uma semana.
Ainda assim, aceitar casar-se com Leonardo Valente parecia impossível.
Às 19h40, ela estacionou o carro em frente ao Restaurante Imperial.
O lugar era um dos mais luxuosos da cidade.
Valets uniformizados circulavam pela entrada enquanto clientes elegantes entravam e saíam.
Luna respirou fundo.
— Eu consigo fazer isso.
Mas nem ela acreditou na própria voz.
Ao entrar, foi imediatamente conduzida a uma área reservada.
E lá estava ele.
Leonardo Valente.
Sentado sozinho em uma mesa próxima à janela.
Vestia um terno preto perfeitamente ajustado.
Os cabelos escuros estavam impecavelmente penteados.
Seu rosto continuava tão marcante quanto ela lembrava.
Talvez até mais.
O problema era que o tempo havia tornado aquele homem ainda mais atraente.
E Luna odiava admitir isso.
Quando Leonardo ergueu os olhos, o ambiente pareceu congelar.
Por alguns segundos, nenhum dos dois falou.
Ele foi o primeiro a quebrar o silêncio.
— Você chegou.
— Não por vontade própria.
Um leve sorriso surgiu no canto dos lábios dele.
— Continua temperamental.
— Continua arrogante.
O sorriso desapareceu.
— Sente-se.
— Prefiro ficar em pé.
Leonardo apoiou os cotovelos sobre a mesa.
— Como quiser.
Luna cruzou os braços.
— Vamos acabar logo com isso.
— Direta ao ponto.
— Diferente de você, não tenho tempo para jogos.
Ele a observou por alguns segundos.
Como se estivesse analisando cada reação dela.
Aquilo a incomodou profundamente.
— O acordo é simples — disse Leonardo.
— Casamento em troca da empresa da minha família.
— Exatamente.
— E por que eu?
Os olhos dele escureceram.
— Porque você é a única condição.
Luna franziu a testa.
— Isso não responde minha pergunta.
— Não precisa responder.
— Precisa sim.
Pela primeira vez, Leonardo desviou o olhar.
Aquilo chamou sua atenção.
Era estranho vê-lo desconfortável.
— Existem motivos pessoais.
— Que motivos?
— Ainda não.
— Ainda não?
— Você saberá quando chegar a hora.
Luna soltou uma risada nervosa.
— Está me pedindo para casar com você sem explicar nada?
— Estou oferecendo uma solução.
— Não.
— Então recuse.
A resposta veio tão rápida que ela ficou sem reação.
Leonardo permaneceu calmo.
Frio.
Controlado.
Como sempre.
— Se recusar, tudo continua como está.
— Está me ameaçando?
— Não.
Ele inclinou levemente a cabeça.
— Estou apresentando fatos.
Luna sentiu o sangue ferver.
Queria jogar o copo de água na cara dele.
Queria sair dali imediatamente.
Mas uma parte dela sabia que não podia.
E isso era o que mais a irritava.
Então algo inesperado aconteceu.
Uma mulher alta e extremamente elegante aproximou-se da mesa.
Ao vê-la, Leonardo endureceu.
— Isabela.
Luna percebeu imediatamente que aquela mulher não era uma simples conhecida.
Isabela sorriu.
Mas seus olhos estavam longe de ser amigáveis.
— Então é ela?
O olhar da mulher percorreu Luna da cabeça aos pés.
Como se estivesse avaliando uma concorrente.
— Mais bonita do que imaginei.
— O que você está fazendo aqui? — perguntou Leonardo.
— Vim jantar.
Isabela soltou uma pequena risada.
— Mas pelo visto interrompi algo importante.
Luna observava a cena em silêncio.
Até que Isabela lançou uma bomba.
— Você já contou a ela?
O rosto de Leonardo ficou sério.
Muito sério.
— Vá embora.
— Ainda não contou, não é?
— Isabela.
— Ela deveria saber que você quase se casou comigo há seis meses.
O coração de Luna disparou.
O quê?
Ela voltou-se para Leonardo.
Mas o pior ainda estava por vir.
Isabela sorriu.
Um sorriso cruel.
— E talvez ela também devesse saber por que o casamento foi cancelado.
O silêncio caiu sobre a mesa.
E pela primeira vez naquela noite...
Leonardo Valente pareceu genuinamente preocupado.







