Narrado por Gregório
Ava dormia encostada no sofá, os cabelos espalhados no ombro, o corpo levemente curvado como quem se protege. Eu fiquei ali um tempo só olhando. Aquela paz dela era meu templo. Mas tinha algo em mim queimando por dentro — não só desejo, mas urgência. A necessidade de lembrar a ela — e a mim — que eu estava vivo. Que ela estava viva. Que a gente ainda era pele, além de alma.
Me inclinei devagar e beijei o ombro exposto, com carinho. A pele arrepiou sob minha boca.
Gregório: