Mundo de ficçãoIniciar sessãoCAPÍTULO 2: O PREÇO DO ACORDO
Eles saíram do altar e caminharam em direção à porta da igreja. Mal puseram os pés do lado de fora, Salvatore segurou o braço de Angelina com firmeza — não com violência desnecessária, mas com a autoridade de quem não aceitava ser desobedecido. Sem lhe dar tempo para reagir, conduziu-a até o carro que os aguardava.
— Você não tem o direito de me tocar assim! — ela protestou, tentando se soltar.
Ele apenas voltou o rosto na direção dela.
— Agora você é minha esposa. Isso muda muita coisa.
A voz grave, dita tão perto de seu ouvido, provocou um arrepio involuntário em Angelina. Ela odiou a própria reação e desviou o olhar imediatamente.
Durante todo o trajeto, o silêncio dentro do carro era sufocante. Salvatore permanecia sério, observando-a discretamente pelo canto dos olhos, como se tentasse decifrar cada expressão em seu rosto. Angelina mantinha o queixo erguido, mas apertava as mãos sobre o colo, tentando esconder o nervosismo.
Assim que chegaram à mansão Moretti, ele a conduziu diretamente até o escritório.
Sobre a mesa havia um único documento.
— Assine.
Angelina olhou desconfiada para os papéis.
— O que é isso?
— O contrato da aliança entre as nossas famílias. O mesmo que sua irmã assinaria. Agora pertence a você.
Ela respirou fundo. Estava cansada demais para discutir outra vez. Pegou a caneta e assinou rapidamente, sem ler uma única linha.
Salvatore recolheu o documento com um discreto sorriso de satisfação.
— Perfeito.
Só então ela franziu a testa.
— O que eu acabei de assinar?
Ele aproximou-se lentamente.
— A principal cláusula estabelece que você deverá me dar um herdeiro no prazo de um ano.
Angelina sentiu o estômago revirar.
— O quê?
— Caso isso não aconteça, o acordo perde a validade. A paz entre as nossas famílias termina... e a guerra recomeça.
Ela o encarou, completamente surpresa.
— Você não podia esconder uma coisa dessas!
Ele sustentou seu olhar sem demonstrar qualquer emoção.
— Eu não escondi. Você simplesmente assinou sem ler.
As palavras atingiram Angelina como um tapa. Ela odiava admitir, mas ele tinha razão.
Por alguns segundos, nenhum dos dois disse mais nada.
Salvatore aproximou-se mais um passo.
— A partir de hoje, esse casamento precisa ser consumado. Faz parte do acordo que você acabou de aceitar.
Antes que ela encontrasse forças para responder, ele a tomou nos braços e a levou até o quarto principal.
Ela tentou afastá-lo no caminho, batendo de leve em seus ombros, mais por indignação do que por acreditar que conseguiria fazê-lo desistir.
Quando ele a colocou sobre a cama, seus olhos continuavam duros, queimando de raiva.
— Não lute contra o inevitável, Angelina. Isso só vai tornar tudo mais difícil.
Ela o encarou com os olhos marejados.
— Eu te odeio.
Salvatore ergueu a mão e enxugou uma lágrima que escorria pelo rosto dela. O gesto foi rápido, quase involuntário.
— Ódio... — murmurou, aproximando-se lentamente. — É um sentimento perigoso. Às vezes, ele anda muito perto do desejo.
Angelina abriu a boca para responder, mas ele a silenciou com um beijo.
Foi um beijo intenso, dominador, carregado da mesma tensão que existia entre eles desde a igreja.
Ela tentou manter a distância, lembrar-se das palavras cruéis que ele havia dito e de toda a revolta que ainda sentia. Queria continuar odiando aquele homem.
Mas seu corpo reagia de uma forma que ela não conseguia controlar.
A proximidade dele despertava sensações que a deixavam ainda mais irritada consigo mesma. Quanto mais tentava resistir ao que estava sentindo, mais confusa ficava.
Salvatore percebeu essa mudança. Pela primeira vez desde que tudo começara, ela deixou de enfrentá-lo apenas com palavras. Ainda havia raiva em seu olhar, mas também existia uma atração que nenhum dos dois esperava encontrar.
A tensão acumulada durante todo aquele dia finalmente rompeu o último limite entre eles.
Não havia amor naquele momento.
Havia orgulho ferido, ressentimento, desejo e uma confusão de sentimentos que ambos prefeririam não sentir.
Para Salvatore, aquilo representava o cumprimento de um acordo imposto pelas circunstâncias.
Para Angelina, significava descobrir, contra a própria vontade, que odiar alguém podia ser muito mais complicado do que imaginava.
Quando tudo terminou, Salvatore afastou-se primeiro. Vestiu novamente o paletó, recompôs a expressão fria e voltou a esconder qualquer emoção.
— Agora o acordo está completo. Não se esqueça das responsabilidades que assumiu.
Sem esperar resposta, deixou o quarto.
Angelina permaneceu sozinha, encarando o teto.
Continuava zangada. Continuava magoada.
Continuava sem aceitar o casamento.
Mas também já não conseguia ignorar a guerra silenciosa que havia começado dentro dela.







