A Noiva Por Obrigação do Dom da Máfia
A Noiva Por Obrigação do Dom da Máfia
Por: Eleonor Reis
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CAPÍTULO 1: A TROCA DA NOIVA

Salvatore estava de pé no altar e olhou mais uma vez para o relógio no pulso. Já se passava de uma hora do horário marcado, e nada de Sofia chegar. Ao seu lado, Dante e Rocco, seus irmãos, também já demonstravam impaciência, trocando olhares tensos entre si. Ele apertou o punho, sentindo que aquela demora já passava de qualquer normalidade — algo estava muito errado. Ele não tirava os olhos da entrada da igreja, se perguntando onde estaria a noiva.

Mais ao fundo, sentada entre os convidados, Angelina também observava, inquieta. Ela já achava estranho a demora da irmã, sentindo uma pontada de apreensão no peito.

Foi então que um dos homens de confiança de Vittorio se aproximou do pai das meninas, cochichou algo rapidamente ao ouvido dele, e Salvatore viu o rosto do homem perder toda a cor de uma vez. Vittorio cambaleou um pouco, como se tivesse levado um golpe forte.

Salvatore franziu a testa e caminhou até ele, firme e sério.

— O que houve, Vittorio? Por que Sofia não chega? Já passou de uma hora do horário combinado.

O homem hesitou, olhando ao redor com vergonha e desespero.

— Calma, Salvatore. Não é o lugar para falar disso. Vamos para a sacristia, por favor. Precisamos conversar em particular.

Assim que a porta se fechou atrás deles, Salvatore virou-se imediatamente, a voz carregada de raiva e confusão.

— Diga logo o que aconteceu!

— Ela fugiu — admitiu Vittorio, baixo. — Sofia saiu de casa antes de vir para cá. Foi embora com um homem chamado Lorenzo. Ela não vem.

A notícia caiu como uma bomba. Salvatore sentiu o sangue ferver nas veias, uma mistura de dor, humilhação e fúria que o deixou cego por um instante. Ele bateu o punho forte na parede, os olhos faiscando de ódio.

— Fugiu? Ela me traiu! Eu confiei nela! Eu achei que ela sentia o mesmo que eu! E foi embora com outro? Quem é esse homem? Quem ele pensa que é para tocar no que é meu? — rosnou ele, virando-se para os irmãos. — Mande os homens atrás deles agora! Achem eles! E matem os dois! Eles vão pagar por essa afronta!

— Espera, Salvatore — interrompeu Vittorio depressa, estendendo a mão. — Eu entendo a sua raiva, eu também estou destruído. Mas se fizermos isso agora, a aliança entre as nossas famílias acaba. E nós temos uma forma de manter tudo de pé.

Salvatore o olhou com desdém.

— Que forma? A noiva não está mais aqui!

— A ordem é clara — explicou ele, firme. — Se a primeira não pode, a próxima assume. Angelina vai no lugar da irmã. Ela vai cumprir o acordo.

Salvatore riu, sem nenhum humor, cheio de desprezo.

— Angelina? De jeito nenhum! Você sabe muito bem que nós nunca nos demos bem! Ela é respondona, não aceita ordens, não obedece a ninguém, é diferente de tudo o que eu procurava. Eu não quero ela! Nunca quis!

Dante puxou ele suavemente para um canto, com a voz calma mas séria.

— Irmão, eu sei que dói. Eu sei que você está furioso e com razão. Mas pense com a cabeça, não com a raiva. A paz entre as famílias, a segurança de todos, tudo depende desse acordo. É mais importante do que a nossa vontade no momento. Nós vamos encontrar a Sofia e esse tal de Lorenzo, pode ter certeza que eles vão receber o que merecem. Mas agora, você tem que aceitar casar com Angelina. É a única saída.

Rocco concordou com um aceno sério.

— Ele tem razão, Salvatore. Não podemos deixar que esse erro destrua tudo o que construímos.

Salvatore respirou fundo, sentindo o peito doer de frustração. Ele sabia que eles tinham razão.

— Traga ela aqui — ordenou ele por fim, com a voz fria e cortante.

Minutos depois, a porta abriu e Angelina entrou. Ela não fazia ideia do que estava acontecendo, só sentia o clima pesado e os olhares sobre si.

— O que foi? Onde está a Sofia? — perguntou ela, olhando para o pai.

Vittorio aproximou-se, com expressão triste e severa.

— Ela fugiu, minha filha. Foi embora com outro homem. E para manter o acordo e a paz entre as famílias, você vai ter que tomar o lugar dela. Você vai casar com Salvatore.

Angelina empalideceu e deu um passo para trás, negando com a cabeça.

— Não! Eu não vou! Eu não pedi isso! E principalmente, eu não vou casar com ele! — disse ela, olhando diretamente para Salvatore, sem esconder a sua própria repulsa. — Eu nunca gostei desse jeito frio e cruel dele, e ele nunca me suportou! Por que eu teria que pagar pelo erro da minha irmã?

Salvatore sorriu com desdém, aproximando-se dela.

— Você acha que eu quero isso? — rebateu ele, com desprezo. — Eu também não a quero. Mas as regras não são feitas dos nossos desejos. Você está aqui agora, e vai ter que cumprir o seu dever.

— Eu não vou — repetiu ela, firme.

— Você vai — cortou o pai, com voz firme. — É o preço da nossa segurança, Angelina. Não há escolha.

Salvatore aproximou-se ainda mais, olhando nos olhos dela com toda a frieza do mundo.

— Você ouviu. Agora você é a minha noiva. E saiba de uma coisa: eu não esqueci o que a irmã fez. E como você está no lugar dela, vai carregar o peso disso todos os dias. Ser minha esposa não será uma honra. Será o seu castigo.

Angelina ergueu o queixo, os olhos brilhando de lágrimas que ela se recusava a derramar, e encarou ele de volta sem recuar.

— Faça o que puder, Salvatore. Eu não tenho medo de você. E eu não sou a minha irmã. Você vai descobrir isso da pior forma possível.

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