A madrugada se arrastava como um lamento prolongado, e a sala de espera da Clínica Portuguesa já não parecia tão aconchegante. As poltronas de couro bege tornavam-se um cárcere silencioso onde Alberto Darius contava os segundos, ouvindo o leve tique-taque do relógio pendurado na parede, que mais parecia zombar da sua impaciência.
Lá fora, a cidade dormia sob um véu de neblina, indiferente à dor que lhe corroía o peito.
Com os cotovelos apoiados nos joelhos e as mãos trêmulas entrelaçadas, ele