Mundo ficciónIniciar sesiónCLASSIFICAÇÃO RECOMENDADA: +18 Três dias. Esse era o tempo que me restava antes de ser entregue a um homem velho e violento que eu odiava, tudo para encher os bolsos da minha família com um dote milionário. Eu era apenas a moeda de troca deles, a garota que sempre humilhavam. Mas eles não sabiam do meu segredo: eu tinha uma fortuna em joias que minha mãe me deixou antes de falecer. Naquela noite, a bebida me deu a coragem que eu nunca tive. Eu só queria uma noite de liberdade. Uma única memória que fosse puramente minha antes de viver em uma prisão. E eu consegui mais do que esperava nos braços de San-jin. Um asiático misterioso, dominante e absurdamente sexy, a quem entreguei a minha virgindade. O problema é que o amanhecer traz a realidade da pior forma possível. Meu segredo foi descoberto, e a fúria da minha família quase me custou a vida. Encurralada, usei minha última carta na manga: inventei que o estrangeiro da boate é um bilionário apaixonado, pronto para cobrir qualquer dívida pela minha mão. Minha madrasta me deu exatamente três dias para provar a farsa. Mas a verdade que me aguarda do outro lado da cidade é um pesadelo. Traído pelo próprio tio e derrubado de sua facção, San-jin foi traficado para a "Índia" — o submundo mais cruel da cidade — e transformado em um escravo sexual de luxo, obrigado a se prostituir na mesma boate onde nos conhecemos. O homem implacável que me dominou naquela noite agora vive acorrentado. O relógio está correndo. Usando as joias da minha mãe falecida, eu preciso libertar o ex-chefe da máfia, convencê-lo a casar comigo e jogar o meu jogo.
Leer másCAPÍTULO 1
ALYA NARRANDO: TALEGAON DABHADE, ÍNDIA. A poeira amarelada das ruas de Talegaon Dabhade parecia grudar na janela do meu quarto, assim como a rejeição daquela família grudava na minha pele todos os dias. Olhei o reflexo no espelho antigo. Eu vivia em uma casa de classe média... mas o meu quarto era o mais simples e o menor. Para quem olhava de fora, meu pai e minha madrasta ostentavam uma vida confortável, mas eu sabia a verdade podre por trás de cada parede pintada: tudo aquilo tinha sido erguido com as poucas joias que meu pai conseguira roubar da minha mãe antes de ela falecer. Eu era a filha única do primeiro casamento. Uma intrusa. Um estorvo. Vivendo sob o mesmo teto que um pai que me detestava, uma madrasta que me odiava e o filho dela, um garoto mimado que adorava me ver ser humilhada. A única pessoa daquele sangue de quem eu ainda gostava era minha meia-irmã mais nova. Eu via inocência nela, mas a confiança? Essa eu não podia dar,ela ainda era filha da Tamasi . Se eu desse um passo em falso, minha cabeça rolaria. Minha única âncora no mundo eram minha prima — minha melhor amiga e fiel escudeira — e meu melhor amigo, as únicas pessoas que me faziam lembrar de quem eu realmente era. Porque a verdade que meu pai e minha madrasta gananciosos nem sonhavam... é que eles pegaram apenas as migalhas. Três batidas leves e ritmadas ecoaram no vidro, me fazendo despertar dos meus pensamentos. Olhei em direção à janela do lado de fora e um sorriso bobo, o primeiro do meu dia, surgiu no meu rosto. Era ela. Asha. Me levantei da cama em um pulo e empurrei a trava da janela, deixando o ar fresco entrar junto com a energia caótica da minha prima. Minha madrasta, Tamasi, detestava a nossa proximidade com todas as forças. Ela fazia de tudo para nos afastar, porque sabia que Asha era a única pessoa no mundo que me entendia de verdade, a única que conseguiu enxergar através da minha armadura. — O que você está fazendo aqui, Asha? — perguntei em um tom tenso, embora meus olhos brilhassem por vê-la. — Eu vim te ver, ué! — Asha respondeu, apoiando os braços no parapeito e me encarando indignada. — Você só vive presa e enfiada nesse quarto, Alya. Vamos dar uma volta mais tarde? No mesmo segundo, meu coração deu um solavanco. Instintivamente, desviei os olhos dela e olhei para a porta fechada do meu quarto, o peito apertado pelo medo real de que os passos pesados de Tamasi estivessem subindo o corredor. Se ela escutasse a voz da minha prima ali, o inferno começaria. — Eu não posso... — engoli em seco, baixando o tom de voz. — Eu tenho muitas tarefas para fazer em casa hoje, Asha. Asha revirou os olhos, cruzando os braços e deixando transparecer toda a sua irritação com a minha realidade. — Só você trabalha nessa casa! — ela resmungou, sem esconder a revolta na voz. — Nada dura para sempre... — murmurei, sentindo o peso das minhas próprias palavras. Antes que Asha pudesse responder, o silêncio do quintal foi cortado por um grito alto e ecoante. — ASHAAAA! ASHAAA! Nós duas nos entreolhamos sobressaltadas. — É o Kabir que está chamando — Asha disse, reconhecendo a voz de imediato. Kabir era o meu melhor amigo, o cara que sempre, sem exceção, estava ao meu lado para o que desse e viesse. Eu sentia o carinho dele e, no fundo, bem lá no fundo, eu sabia que ele tinha uma paixão secreta por mim. Mas a nossa realidade e o peso das nossas famílias tornavam tudo impossível. Asha me deu um último sorriso e foi embora. O dia estava apenas começando, mas o clima naquela casa já estava pesado. De repente, o estrondo na fechadura me fez sobressaltar. Meu meio-irmão, Ravan, escancarou a porta do meu quarto com força. Instintivamente, dei um passo à frente e fechei a janela, tentando isolar o vento frio da manhã e o rastro daquela conversa. — Que gritaria toda é essa? — ele perguntou, furioso, cruzando os braços no meio do cômodo. — Era só a Asha — respondi baixinho, tentando não prolongar o assunto. Ravan me encarou com desprezo. — Se a minha mãe souber que você está de conversa fiada a uma hora dessas da manhã... A casa está imunda. Desça logo e venha arrumar tudo! Ele deu as costas, saindo do meu quarto e batendo a porta com força. Engoli o cansaço matinal e desci. Comecei pelas tarefas menores: varrer e passar pano, uma rotina que é feita quase todos os dias aqui na Índia. Decidi deixar o meu próprio quarto por último. Como a sala é um dos lugares mais importantes e sagrados da casa, concentrei meus esforços ali. Comecei limpando a janela, deixando a luz do sol entrar, e logo passei para os móveis. Não demorou muito para o meu irmão aparecer, ainda irritado com a minha presença. — Daqui a pouco já é hora do almoço. A minha mãe vai te ajudar! — ele gritou da cozinha, com a voz bem alta. Eu sabia exatamente o que ele estava fazendo. Ravan falava aquilo de forma calculada, projetando a voz para que toda a vizinhança escutasse através das janelas. Ele precisava manter as aparências. Queria que todos pensassem que a mãe dele também cuidava do lar, e não que eu era a única que fazia tudo sozinha desde o amanhecer. A mesa do almoço parecia um cenário de teatro bem ensaiado. Tamasi sorria enquanto servia o meu pai, agindo como a esposa perfeita, e Ravan comia como se fosse o rei daquela casa. Eu permanecia em silêncio, apenas observando a comida no meu prato e contando os minutos para aquele inferno de aparências acabar. Kiara, estava ali também. Mais cedo, ela tinha me ajudado a preparar os pães. Ela era a única que não parecia ter nada contra mintam naquela casa.O cartório em Pune era um prédio antigo e abafado, com ventiladores de teto que mal moviam o ar pesado. Asha nos esperava do lado de fora, observando com olhos atentos o movimento da estrada e do carro suspeito que parecia estar nos seguindo. San-jin mantinha-se o tempo todo colado a mim, olhando para trás a cada poucos segundos; ele tinha a nítida intuição de que estávamos sendo vigiados.— Estamos sendo observados? — sussurreu bem baixinho, sentindo o perfume amadeirado dele misturado com o suor do trabalho da manhã.San-jin nem sequer olhou para mim. Seus olhos escuros varriam o salão com a precisão cirúrgica de um caçador, ignorando completamente o burburinho das pessoas ao redor.— Aja naturalmente — ele murmurou, com a voz tão baixa que senti o calor do seu hálito contra o meu neck. — E prepare-se. Assim que essa papelada estiver pronta, não vamos caminhar para fora daqui... nós vamos correr.O suor frio começou a descer pelas minhas costas. Eu estava tão nervosa que meu peito s
No dia seguinte, acordei com a luz solar entrando pelo porão. Abri os meus olhos devagar e me sentei na cama, ainda meio sonolenta. Olhei para o chão e o colchão de San-jin estava exatamente do mesmo jeito que ele tinha deixado: intacto.Ele não tinha voltado para dormir ali.Senti um aperto no peito e pensei comigo mesma: Será que ele passou a noite inteira na rua? Ele e o Kabir parecem que se juntaram e planejaram me magoar na mesma noite...Me levantei e logo comecei a escutar uma faladeira vinda lá de fora. Olhei para as minhas roupas amassadas, peguei uma muda limpa e fui direto tomar um banho e escovar os dentes. Hoje seria um dia longo e exaustivo; eu teria que resolver toda a papelada do casamento e dar andamento ao nosso plano.Assim que terminei de me arrumar, desci as escadas. Do lado de fora, no meio dos trabalhadores, avistei San-jin. Ele estava ajudando na obra do casarão — a construção que meu pai e minha madrasta haviam feito com as joias da minha falecida mãe, e que a
Kiara, que havia ficado para trás ao lado dele, soltou um suspiro e comentou, sem maldade:— Se não fosse pelo dote alto, o Kabir e a Alya se casariam... Mas eles não podem. O Kabir não tem como pagar esse dote.Ao ouvir aquilo, San-jin desviou o olhar para o caminho por onde eu tinha corrido e ficou pensativo.Então aquele é o homem que ela ama..., pensou ele, sentindo um peso estranho e incômodo no peito.Corri pela rua escura, segurando a barra do meu vestido pesado para não tropeçar. O meu coração estava acelerado, não pelo cansaço, mas pela dor das palavras que tinha acabado de ouvir. Asha vinha logo atrás de mim, tentando me acompanhar.— Kabir, espera! Por favor, para! — gritei, com a voz já embargada.Ele finalmente parou de andar, mas não se virou imediatamente. Suas costas estavam tensas. Quando ele se voltou para mim, a sua expressão era de pura mágoa e orgulho ferido.— O que você quer? — Kabir perguntou, ríspido. — Você veio para esfregar na minha cara o estrangeiro rico
Do lado de fora, a vizinhança inteira estava cochichando pelos cantos.— Ele é tão rico e bonito! — comentava uma vizinha, maravilhada.— Onde será que ela achou esse homem? Você viu o jeito protetor dele na calçada?! — dizia outra, chocada.Próxima dali, Kiara observava o movimento da rua e comentou com a amiga:— Parece que todo mundo só sabe falar daquele homem... A Alya teve mesmo muita sorte.Asha deu uma risada leve, sentindo-se toda orgulhosa e feliz por ver o plano da amiga dando certo. De repente, Kabir veio caminhando na direção das duas, com uma expressão furiosa no rosto.— Então esse é o tal estrangeiro que está aqui? — Kabir perguntou, cuspindo as palavras de tanta raiva. — Eu cheguei tarde e não vi a confusão, só estou sabendo pelos boastos da rua!— Ele deve ter quase 1,90 m de altura — Kiara comentou, ainda muito impressionada com o tamanho de San-jin.— Não importa a altura dele ou a origem! — Kabir esbravejou, estufando o peito. — Eu quero ter uma conversa com ele d










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