Mundo de ficçãoIniciar sessãomas também sabiam que aquela família não deixaria aquilo barato de jeito nenhum.
Eu soltei um sorriso ironicamente provocativo, olhando direto para o meu noivo rejeitado e para a Tamasi. — Não tem como ter casamento, né? Eu não sou mais virgem. Aquilo foi o limite absoluto para a minha madrasta. Cega de fúria, ela avançou em minha direção como um animal raivoso, agarrou os meus cabelos com força e começou a me bater ali mesmo, desferindo t***s e puxões cruéis. — Sua desgraçada! — ela berrava, fora de si. Ravan, vendo a cena, não perdeu tempo. Ele me pegou pelo braço com brutalidade e me arrastou para fora da casa, levando-me direto para o meio da vila. O plano dele era claro: fazer com que eu apanhasse na frente de todo mundo para me envergonhar diante da vizinhança inteira. Com um empurrão violento, ele me jogou no chão de terra lá fora. Enquanto eu tentava me levantar, Tamasi veio atrás, continuando a me bater sem a menor piedade. Para garantir que ninguém atrapalhasse o castigo, Ravan segurou Asha pelos braços com força, e Patel — o meu próprio pai — segurou Kiara. As duas tentavam se soltar a todo custo, mas era inútil contra a força deles. Kiara chorava de puro ódio e desespero ao ver a cena. O barulho e os gritos fizeram com que os moradores da vizinhança saíssem para fora de suas casas, formando uma roda de curiosos ao nosso redor. — Estão vendo essa mulher aqui?! — Tamasi gritou para a multidão, apontando para mim com um sorriso cruel e vitorioso nos lábios. — Ela se deitou com outro homem na rua, mesmo sendo noiva de outro! É uma vadia mesmo! Uma sem honra! Eu continuei caída no chão, sentada sobre a terra batida. Minhas roupas estavam um pouco rasgadas pelo meio do caminho, um fio de sangue quente escorria pelo canto da minha boca e pela lateral da minha cabeça, misturando-se com as novas feridas e arranhões que começavam a arder no meu rosto. Eu estava destruída fisicamente, mas meus olhos ainda guardavam o resto da minha dignidade. Tamasi estava cega, cheia de raiva, e gritava para quem quisesse ouvir no meio da rua: — Você vai morrer é hoje, sua desgraçada! Vadia! Ela se entregou para um qualquer, sua ingrata! Ela ergueu a mão, pronta para começar a me bater com força novamente. Antes que o primeiro golpe me atingisse, juntei todas as minhas forças e gritei alto, fazendo a minha voz ecoar por toda a vila: — O homem a quem eu me entreguei... ele é rico! Tamasi parou a mão no ar e soltou um sorriso ironicamente maldoso. — Até parece! Pare de mentir na frente dos outros para tentar salvar a sua pele! — debochou. Ao nosso redor, os moradores da vila assistiam à cena assustados, começando a cochichar uns com os outros, espalhando o boato. — Eu posso trazer ele aqui em três dias! — continuei, firme, limpando o sangue da boca com as costas da mão. — Ele pode dar um dote muito maior do que o do senhor Girish Chandra! Ao ouvir as palavras "dote" e "maior", os olhos de Tamasi brilharam com pura ganância. Ela hesitou. Olhou para trás, cravando o olhar em Asha e Kiara, que ainda eram seguradas à força pelos homens. — O que vocês duas têm a dizer sobre isso? — Tamasi exigiu saber. Asha, percebendo a mentira que usei para me salvar, não pensou duas vezes antes de confirmar: — É verdade! Ela conheceu um rapaz rico ontem à noite. Tamasi alternou o olhar venenoso entre as duas, a vizinhança e eu, que continuava caída na terra. Ela cruzou os braços, bufando. — Está bem, Alya. Eu vou te dar essa oportunidade — cedeu, com a voz carregada de ameaça. — Mas preste bem atenção: se for mentira, você já era! E elas duas também sofrerão as consequências junto com você. Em seguida, ela se virou para Kiara, que chorava ao ver o meu estado no chão. — Kiara, entre agora! — ordenou, ríspida. Kiara me olhou com profunda compaixão e dor, mas, sem escolha, deu as costas e entrou para dentro de casa. Aos poucos, percebendo que o show da agressão havia acabado, os vizinhos foram se dispersando e a rua foi esvaziando. Assim que os braços de Ravan a soltaram, Asha correu desesperada em minha direção, caindo de joelhos na terra para me amparar. Ela passou a mão no meu rosto ferido, com os olhos cheios de lágrimas. — Por que você fez isso? Você quer morrer? — ela perguntou, a voz embargada pelo choro. — Agora são mais mentiras! Eu segurei a mão dela, puxando-a de leve para baixo, e sussurrei bem perto de seu ouvido: — Lembra das joias da minha mãe? Asha olhou para mim, confusa. — Claro que eu lembro. O seu pai roubou da sua mãe junto com a Tamasi e se apoderou de tudo. Eu sorri de canto, mesmo sentindo a boca doer por causa do corte. — Eles pegaram apenas as migalhas das joias da minha mãe. — Como assim? — Asha franziu a testa, totalmente perdida. — Tem mais joias? Do que você está falando? Em vez de responder, deixei que ela segurasse a minha mão e me levantasse do chão devagar. — Eu vou te levar para a minha casa para cuidar desses ferimentos — ela disse, com o coração apertado de preocupação. Eu apenas obedeci. Abaixei a cabeça e fomos juntas, deixando o rastro daquela humilhação para trás..






