Cap 3 "A NOITE DE DESPEDIDA"

Eu sorri, revirei os olhos e me sentei no sofá. No fundo, sabia que elas estavam apenas querendo me animar de alguma forma depois do dia terrível que tive. Kiara foi pegar uma bebida e dar uma olhada nos rapazes que dançavam. Era um mais bonito que o outro, todos sarados, e havia também muitos estrangeiros por ali. Logo, Asha foi atrás dela, me deixando sozinha.

Acabei ficando ali, sentada, perdida em meus pensamentos. Casamento? A palavra ainda ecoava na minha mente como uma sentença de prisão. Nisso, uma moça passou servindo bebidas. Sem pensar muito, peguei um copo e comecei a beber. Eu nunca havia bebido antes na vida, mas aquela mistura me deu uma sensação imediata de leveza e liberdade.

Foi quando eu o vi.

De repente, meus olhos travaram em um homem asiático. O seu semblante era sério e ele era absurdamente bonito. Estava sozinho em seu canto, sem camisa. O seu corpo era perfeito, parecia esculpido em mármore. Enquanto todos os outros caras dançavam e se moviam, ele permanecia ali, parado como uma estátua. Seus lábios eram rosados, sua altura era perfeita e os seus olhos refletiam um poder puro, misterioso e intimidador.

O resto da boate inteira parecia ter sumido em um borrão. Só existia ele. Cada centímetro daquele homem exalava um magnetismo perigoso. O peitoral dele era largo, definido, com os músculos da barriga perfeitamente marcados que desciam até sumir no cós da calça escura. A pele dele brilhava levemente sob os refletores, como se tivesse sido feita sob medida.

Ele percebeu que eu estava admirando a sua beleza. Simplesmente olhou direto para mim, com um semblante desconfiado e os olhos semicerrados. De imediato, a voz de um funcionário do bar cortou o momento:

— San-jin, pega para mim aquela garrafa!

Ele desviou o olhar e encarou o homem que o chamava. San-jin apenas acenou com a cabeça e foi até ele. Olhei rápido para a minha bebida, disfarçando o tamanho do flagra. Mas a minha mente estava um caos. Eu não vou me casar com aquele velho.

Eu me levantei rapidamente do sofá. De longe, percebi que San-jin começou a me observar, acompanhando os meus passos com atenção. Fui direto até a recepção. Com um sorriso bobo no rosto, eu já estava completamente fora de si por conta do álcool.

— Eu quero uma noite com aquele homem ali — disparei, apontando diretamente para San-jin. — Eu pago o quanto você quiser.

O funcionário me olhou por um instante e apenas respondeu:

— Certo.

Eu entrou primeiro no quarto. O lugar era extremamente requintado, com uma iluminação baixa e muito perfumado. Logo em seguida, San-jin entrou, fechando a porta atrás de si e me observando atentamente.

"Olhando para as roupas dela, ela me parece tão inocente", San-jin pensou, analisando cada detalhe meu enquanto eu cambaleava de leve. "Mas o que uma garota como essa está fazendo em um lugar como este? Ela está completamente sob o efeito do álcool..."

Antes que ele pudesse terminar de me analisar, criei coragem e me aproximei. San-jin fixou os olhos nos meus, observando a minha aproximação ousada. Fiquei tão perto que conseguia sentir o calor do seu corpo. Sem pensar nas consequências, me estiquei um pouco e o surpreendi com um selinho tímido. San-jin travou, ficando de olhos bem abertos, pego totalmente de surpresa pela minha audácia.

Mas eu não parei. Juntei nossos lábios e comecei a beijá-lo de verdade. Foi nesse momento que ele sentiu o meu aroma, uma mistura doce e marcante de flor de incenso de mel. Aquele perfume pareceu desarmar toda a pose séria dele. Soltando um suspiro pesado, San-jin cedeu e começou a me beijar intensamente. Minhas mãos subiram pelo seu peitoral largo e foram para as suas costas, sentindo como a sua pele era firme e os seus ombros eram imponentes.

O beijo se tornou tão profundo e urgente que nós dois começamos a ficar ofegantes. O ritmo mudou. Ele colou o corpo dele no meu, descendo os lábios quentes para o meu pescoço, trilhando um caminho de arrepios até a altura dos meus seios. Sem romper o contato da nossa pele, as mãos grandes dele começaram a desabotoar os botões da minha camisa, um por um. San-jin me segurou firme pela cintura, me guiando com cuidado até a cama luxuosa. Deitados ali, os beijos continuavam intensos, fazendo meu coração parecer que ia sair pelo peito. Ele começou a beijar meus seios com paixão enquanto puxava meu sutiã, me deixando completamente entregue àquela noite de liberdade.

De repente, ele parou por um segundo e me observou. Nossos olhos ficaram fixos, travados em uma conexão profunda, quase elétrica, que pareceu durar uma eternidade. Senti meu rosto arder, ficando completamente rosado sob o olhar atento dele.

"Essa mulher... ela é virgem", San-jin pensou, sentindo o peso avassalador daquela descoberta.

Sem desviar o olhar do meu, ele retomou o ritmo, e voltamos a nos beijar com uma fome renovada. Senti a boca dele quente contra a minha pele, enquanto ele começava a marcar o meu pescoço, deixando um rastro de fogo. Em resposta, fechei os olhos e apertei com força as costas largas dele, trazendo-o ainda mais para perto. Ele passava a mão pela minha coxa nua com força e, ao mesmo tempo, com uma gentileza que me tirava o fôlego. Seus lábios quentes começaram a trilhar um caminho de fogo, beijando de cima para baixo, subindo pelo meu abdômen até alcançar a minha boca novamente.

O olhar intimidador e misterioso dele agora tinha uma pitada de cuidado que me arrepiou a espinha. Ele percebeu que, por trás da minha audácia provocada pela bebida, existia uma pureza real.

— Você tem certeza disso? — a voz dele saiu grave, um sussurro rouco e arrastado bem perto do meu ouvido, como se estivesse me dando uma última chance de voltar atrás.

A voz dele me fazia sentir tremores por todo o corpo; até o tom que ele usava era absurdamente sexy. Em resposta, juntei minhas mãos na nuca dele e o puxei para outro beijo ardentemente, colando nossos corpos sem dar espaço para o tempo parar. Senti o peso do corpo sarado dele esmagando o meu de leve no colchão macio, me entregando completamente àquela loucura.

Enquanto isso, Kiara e Asha olhavam para todos os lados na boate lotada, tentando me encontrar no meio daquela multidão. O pânico começava a tomar conta das duas, e as expressões de diversão tinham sumido completamente de seus rostos.

— Será que ela foi embora sozinha? — Kiara perguntou, a voz sumindo por causa do som alto.

Asha, pensativa e de cenho franzido, caminhou rapidamente até o funcionário que organizava alguns papéis logo ao lado do balcão da recepção.

— Com licença... — Asha chamou, tentando parecer calma. — Você viu uma moça de cabelos longos e pele morena clara que estava com a gente agora há pouco?

— Ah, sim. Ela acabou de entrar para os quartos com um rapaz — o homem respondeu com naturalidade.

As expressões de Asha e Kiara mudaram imediatamente. O choque foi tão grande que elas quase não conseguiram respirar. Sem pensar duas vezes, Asha girou nos calcanhares e foi direto em direção à porta do corredor dos quartos privativos, desesperada para descobrir em qual deles eu estava. Mas ela não conseguiu dar nem dois passos. O segurança, com seu porte físico intimidador, se moveu rápido e barrou a entrada dela, colocando a mão espalmada no ar.

— Você está louca? Não pode entrar aí. Essa área é restrita — o homem alertou, com a voz firme.

— Ela vai se casar esta semana! Ela é virgem, e se a família dela souber, vão matar ela! Eu não sei o que pode acontecer! — Asha disparou desesperadamente, com a voz falhando pelo choro que ameaçava descer e o coração na boca. — Por favor, me deixa passar!

O guarda olhou rapidamente para os lados, incomodado com o escândalo que ela estava começando a fazer no meio do salão.

— Isso não é problema nosso, moça. Por favor, retire-se antes que eu tenha que tirá-la daqui — ele disse, frio e irredutível.

Asha deu um passo para trás, derrotada. Ela olhou para Kiara, e as duas ficaram completamente sem chão. A realidade caiu como uma tonelada de tijolos nas costas delas. Como elas iam voltar para casa sem a Alya? O que diriam para a família se alguém descobrisse?

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