Mundo ficciónIniciar sesiónRejeitada pelo próprio companheiro. Marcada desde o nascimento como impura. Condenada por um pecado que nunca cometeu. Aos dezoito anos, Genevieve Violet Ashcroft viu seu mundo desmoronar quando Kaellen Draven, herdeiro da poderosa Alcateia Nightfall, rompeu o vínculo destinado entre eles. Sem implorar. Sem olhar para trás. Ela abandonou o mundo dos lobos e construiu uma nova vida entre os humanos. Agora, aos vinte e dois anos, divide um apartamento com sua melhor amiga, Elara, está prestes a concluir a faculdade de Física e trabalha todas as noites no Howling Moon, um bar de rock onde ninguém conhece seu passado. Até que uma caçada a um lobo renegado leva Kael exatamente ao lugar onde ela trabalha. O homem que um dia a rejeitou está diante dela outra vez. Mas o Alpha que acreditava ter feito a escolha certa logo percebe que algumas decisões cobram um preço alto demais… e que certos laços jamais podem ser esquecidos. Enquanto Kael tenta reconquistar a única mulher que nunca conseguiu apagar do coração, antigas alianças começam a ruir, uma jovem disposta a se tornar a Luna de Nightfall fará de tudo para destruí-la, e segredos enterrados desde o dia do nascimento de Genevieve ameaçam mudar para sempre o destino das alcateias. Porque a marca que ela passou a vida escondendo nunca foi um símbolo de vergonha. Foi um selo. E, quando a verdade finalmente despertar… Nem lobos… Nem magia… Nem o próprio destino serão os mesmos.
Leer másPOV Jenny
Encarei meu reflexo enquanto prendia o cabelo diante do espelho. Fazia aquilo todos os dias e, de algum jeito, acabava sempre voltando à mesma pergunta. Como será que ela era? Minha mãe. A humana que fez o poderoso Alfa Eirik Ashcroft perder completamente a cabeça. Ou, como eu preferia pensar nos meus dias menos pacientes… Perder a porra da cabeça a ponto de não conseguir manter o pau dentro das calças. Sorri de canto. O sorriso desapareceu quase tão rápido quanto surgiu. Meu pai morreria se me ouvisse falando desse jeito. Mas, sinceramente, se alguém tinha esse direito, era eu. Afinal, quem carregava as consequências daquele breve romance era eu. Inclinei a cabeça, observando meu reflexo. Meu cabelo nunca fez sentido. Era um loiro frio, quase prateado, uma cor que eu jamais tinha visto em ninguém. Nem entre humanos. Nem entre lycans. Sempre que saía, acabava reparando nas mulheres ao meu redor. No mercado, na rua, na universidade… procurava aquela mesma tonalidade, como se encontrá-la pudesse responder todas as perguntas que meu pai nunca respondia. Às vezes, eu me perguntava se não era justamente por isso que nunca conseguia deixar de procurar minha mãe no rosto de mulheres desconhecidas. Será que ela vinha de outro país? Ou eu simplesmente estava tentando encontrar lógica onde nunca existiu? Meu pai não gostava de falar sobre ela. Quando eu era pequena, ainda inventava algumas histórias. Dizia que ela era bonita, que ria fácil e que tinha me amado desde o instante em que descobriu a gravidez. Eu acreditava em cada palavra. Até crescer o bastante para perceber quando ele mentia. Depois disso, simplesmente parou de tocar no assunto. Talvez porque soubesse que eu já conseguia enxergar a verdade antes mesmo de ele terminar uma frase. Crescer rejeitada pela alcateia teve um efeito curioso na minha infância. Enquanto as outras crianças corriam umas atrás das outras, eu passava o tempo seguindo meu pai para todos os lados. Não era porque ele era o Alfa. Era porque ele era o único que nunca olhava para mim como se eu fosse um erro. E, durante muito tempo, isso bastou. Até eu entender que o amor dele nunca conseguiria responder à única pergunta que me acompanhava desde que aprendi a pensar. Quem era a mulher que me deu essa maldita cor de cabelo? Será que, se minha mãe tivesse sobrevivido ao parto, ela teria escolhido ficar comigo? Mesmo sabendo que eu era uma lycan. Ou teria me levado para o mundo humano? Eu teria crescido longe da alcateia? Longe dos olhares de pena. Dos cochichos. Da rejeição. Será que teria conhecido o meu companheiro destinado? Ou viver entre humanos teria me poupado da humilhação de encontrar o homem que nasceu para mim… Só para descobrir que ele preferia fingir que eu nunca existi. Soltei o ar devagar. Bom… Eram perguntas que jamais teriam resposta. Olhei para o relógio sobre a cômoda. — Merda. Já estava atrasada. Ajustei o corpete preto, conferi se a calça de couro estava no lugar e calcei as botas de cano alto. Era um visual que combinava perfeitamente com o lugar onde eu passava boa parte das minhas noites. Pelo menos trabalhar era a única parte da minha vida que eu realmente controlava. Durante algumas horas, eu deixava de ser a filha rejeitada do Alfa, a lycan sem companheiro e a garota que nunca conheceu a própria mãe. Eu era apenas Genevieve. Parei diante da porta ao lado e bati duas vezes. — Elara! Bora! A gente tá atrasada! O Jeff vai matar a gente! Nosso gerente odiava atrasos. — Já tô indo! — ela respondeu do outro lado. Poucos segundos depois, a porta se abriu. Elara apareceu terminando de calçar uma das botas, completamente despreocupada. O que mais chamava atenção, como sempre, era o cabelo. As mechas coloridas agora misturavam um roxo vibrante com azul elétrico, como se ela tivesse roubado um pedaço do céu ao entardecer. Sorri de canto. — Hum… gostei. Hoje resolveu combinar roxo e azul? Ela passou a mão pelos fios com um sorriso convencido. — O que eu posso dizer? Eu tenho um dom. Soltei uma risada. — Tem mesmo. Só não abusa da sorte. O Jeff gosta da gente, mas atraso continua sendo atraso. Elara deu de ombros. — Relaxa. Você sabe que o Jeff ama a gente. Balancei a cabeça enquanto trancava a porta do apartamento. — É… mas eu prefiro não descobrir até onde vai a paciência dele. Elara riu, entrelaçou o braço no meu e começamos a descer as escadas do prédio. — Ah, falando nisso… — comentou enquanto prendia uma mecha azul atrás da orelha. — Ouvi dizer que teve confusão perto da fronteira da floresta. Uns renegados atravessaram a barreira essa madrugada. Soltei um suspiro cansado. — O que eu posso dizer? Esses lycans só sabem dar problema. Elara arqueou uma sobrancelha. — Você sabe que você também é uma lycan, né? Olhei para ela com um sorriso torto. — Meia. Ela riu. — Continua sendo. Dei de ombros. — Prefiro acreditar que herdei só a parte humana. Elara me lançou um olhar divertido. — Seu pai teria um infarto se escutasse isso. Sorri. — Mais um motivo pra eu não falar na frente dele. As duas rimos enquanto saíamos do prédio. Naquele momento, eu ainda acreditava que aquela seria apenas mais uma noite de trabalho.POV KaellenEu corria.As árvores passavam como borrões enquanto minhas patas rasgavam a floresta.O vento chicoteava meu pelo.Galhos estalavam sob meu peso.Mesmo assim…Não era rápido o bastante.O calor consumia meu corpo.Não era apenas temperatura.Era fogo.Um incêndio percorrendo minhas veias.Cada músculo parecia apertado demais para meus próprios ossos.Meu peito queimava.Minha respiração saía pesada.Dolorosa.Meu lobo urrava dentro de mim.Encontre-a.Minha parte racional ainda lutava.Transformar-me tão perto do território humano já era um risco.Permanecer naquela forma enquanto atravessava a região que separava a floresta da cidade era pior.Se alguém me visse…Se alguém registrasse qualquer coisa…Séculos de segredo poderiam desaparecer em uma única noite.Não seria apenas eu.Minha alcateia.Toda a nossa espécie pagaria por isso.Mas meu corpo já não obedecia.Outra onda daquele fogo atravessou meu peito.Violenta.Ela desceu pela coluna.Espalhou-se pelo ventre.Meu
POV Jenny Eu nem lembrava como tinha conseguido sair da frente daquela casa noturna. O primeiro táxi que passou… Eu praticamente me joguei na frente dele. Os pneus cantaram baixo quando o motorista freou. A porta de trás se abriu. Um casal que se aproximava parou no mesmo instante. A mulher me olhou surpresa. O homem pareceu dizer alguma coisa, mas eu mal consegui ouvir. — Desculpa… — minha voz saiu trêmula. — Eu… eu preciso… Nem consegui terminar a frase. O motorista olhou meu rosto pelo retrovisor e franziu a testa. — Moça… você está bem? Assenti rápido demais. — Só… só me leva pra esse endereço. Minha mão tremia tanto que quase deixei o celular cair enquanto mostrava a localização. O táxi voltou a andar. A cidade passava do lado de fora da janela, mas eu mal enxergava. Meu corpo inteiro queimava. Não era uma febre. Era pior. Muito pior. O calor parecia nascer no meu ventre. Quente. Pulsante. Uma pulsação lenta e pesada que aumentava a cada segundo. Ela sub
POV KaellenMeu lobo explodiu contra as minhas costelas no instante em que a vi.Minha.Ela dançava no centro da pista como se toda a música tivesse sido feita para acompanhar os movimentos do corpo dela.O vestido vermelho parecia uma provocação.Os ombros descobertos.As costas nuas.O tecido justo desenhando cada curva enquanto seus quadris acompanhavam o ritmo da música com uma naturalidade capaz de fazer qualquer homem ao redor esquecer por que tinha entrado naquele lugar.Ela ria.Livre.Feliz.A amiga dançava atrás dela, segurando sua cintura enquanto as duas desciam juntas ao ritmo da música, arrancando gritos e aplausos de quem assistia.E todos assistiam.Meu olhar percorreu o salão.Não havia um único homem que não estivesse olhando para ela.Alguns tentavam disfarçar.Outros nem faziam questão.Era impossível não olhar.Meu peito ficou pesado.Cada segundo ali parecia alimentar um instinto que eu vinha tentando sufocar desde o beco.A vontade que surgiu era irracional.Pri
POV Jenny A música fazia o chão vibrar sob meus pés. Eu já tinha perdido a conta de quantos drinks tinha tomado. Considerando a quantidade de álcool que um lycan precisava consumir para realmente ficar bêbado… Eu realmente devia ter exagerado. Talvez fosse por isso que eu estivesse começando a me sentir um pouco mal. Eu e Elara ocupávamos praticamente o centro da pista. Ela dançava atrás de mim, segurando meus quadris enquanto acompanhávamos o ritmo da música. Nós duas descíamos juntas, quase até o chão, arrancando gritos e aplausos das pessoas ao redor antes de voltarmos rindo. — Isso! — Elara gritou no meu ouvido. Caí na gargalhada. Aquela mulher realmente não tinha um pingo de vergonha na cara. E, sinceramente… Naquela noite, eu também não. Continuamos dançando por mais alguns minutos até que senti vontade de dizer uma coisa. Virei o rosto, pronta para falar. Eu queria dizer que a amava. Que sentia uma gratidão enorme por tudo o que ela tinha feito por mim. Que ela ti





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