A Luna Rejeitada de Sangue Proibido
A Luna Rejeitada de Sangue Proibido
Por: Monalisa
Capítulo 1

POV Jenny

Encarei meu reflexo enquanto prendia o cabelo diante do espelho. Fazia aquilo todos os dias e, de algum jeito, acabava sempre voltando à mesma pergunta.

Como será que ela era?

Minha mãe.

A humana que fez o poderoso Alfa Eirik Ashcroft perder completamente a cabeça.

Ou, como eu preferia pensar nos meus dias menos pacientes…

Perder a porra da cabeça a ponto de não conseguir manter o pau dentro das calças.

Sorri de canto.

O sorriso desapareceu quase tão rápido quanto surgiu.

Meu pai morreria se me ouvisse falando desse jeito.

Mas, sinceramente, se alguém tinha esse direito, era eu.

Afinal, quem carregava as consequências daquele breve romance era eu.

Inclinei a cabeça, observando meu reflexo.

Meu cabelo nunca fez sentido.

Era um loiro frio, quase prateado, uma cor que eu jamais tinha visto em ninguém. Nem entre humanos. Nem entre lycans. Sempre que saía, acabava reparando nas mulheres ao meu redor. No mercado, na rua, na universidade… procurava aquela mesma tonalidade, como se encontrá-la pudesse responder todas as perguntas que meu pai nunca respondia.

Às vezes, eu me perguntava se não era justamente por isso que nunca conseguia deixar de procurar minha mãe no rosto de mulheres desconhecidas.

Será que ela vinha de outro país?

Ou eu simplesmente estava tentando encontrar lógica onde nunca existiu?

Meu pai não gostava de falar sobre ela. Quando eu era pequena, ainda inventava algumas histórias. Dizia que ela era bonita, que ria fácil e que tinha me amado desde o instante em que descobriu a gravidez. Eu acreditava em cada palavra.

Até crescer o bastante para perceber quando ele mentia.

Depois disso, simplesmente parou de tocar no assunto.

Talvez porque soubesse que eu já conseguia enxergar a verdade antes mesmo de ele terminar uma frase.

Crescer rejeitada pela alcateia teve um efeito curioso na minha infância. Enquanto as outras crianças corriam umas atrás das outras, eu passava o tempo seguindo meu pai para todos os lados. Não era porque ele era o Alfa.

Era porque ele era o único que nunca olhava para mim como se eu fosse um erro.

E, durante muito tempo, isso bastou.

Até eu entender que o amor dele nunca conseguiria responder à única pergunta que me acompanhava desde que aprendi a pensar.

Quem era a mulher que me deu essa maldita cor de cabelo?

Será que, se minha mãe tivesse sobrevivido ao parto, ela teria escolhido ficar comigo?

Mesmo sabendo que eu era uma lycan.

Ou teria me levado para o mundo humano?

Eu teria crescido longe da alcateia?

Longe dos olhares de pena.

Dos cochichos.

Da rejeição.

Será que teria conhecido o meu companheiro destinado?

Ou viver entre humanos teria me poupado da humilhação de encontrar o homem que nasceu para mim…

Só para descobrir que ele preferia fingir que eu nunca existi.

Soltei o ar devagar.

Bom…

Eram perguntas que jamais teriam resposta.

Olhei para o relógio sobre a cômoda.

— Merda.

Já estava atrasada.

Ajustei o corpete preto, conferi se a calça de couro estava no lugar e calcei as botas de cano alto. Era um visual que combinava perfeitamente com o lugar onde eu passava boa parte das minhas noites.

Pelo menos trabalhar era a única parte da minha vida que eu realmente controlava.

Durante algumas horas, eu deixava de ser a filha rejeitada do Alfa, a lycan sem companheiro e a garota que nunca conheceu a própria mãe.

Eu era apenas Jenny.

Parei diante da porta ao lado e bati duas vezes.

— Elara! Bora! A gente tá atrasada! O Jeff vai matar a gente! Nosso chefe odiava atrasos.

— Já tô indo! — ela respondeu do outro lado.

Poucos segundos depois, a porta se abriu.

Elara apareceu terminando de calçar uma das botas, completamente despreocupada. O que mais chamava atenção, como sempre, era o cabelo. As mechas coloridas agora misturavam um roxo vibrante com azul elétrico, como se ela tivesse roubado um pedaço do céu ao entardecer.

Sorri de canto.

— Hum… gostei. Hoje resolveu combinar roxo e azul?

Ela passou a mão pelos fios com um sorriso convencido.

— O que eu posso dizer? Eu tenho um dom.

Soltei uma risada.

— Tem mesmo. Só não abusa da sorte. O Jeff gosta da gente, mas atraso continua sendo atraso.

Elara deu de ombros.

— Relaxa. Você sabe que o Jeff ama a gente.

Balancei a cabeça enquanto trancava a porta do apartamento.

— É… mas eu prefiro não descobrir até onde vai a paciência dele.

Elara riu, entrelaçou o braço no meu e começamos a descer as escadas do prédio.

— Ah, falando nisso… — comentou enquanto prendia uma mecha azul atrás da orelha. — Ouvi dizer que teve confusão perto da fronteira da floresta. Uns renegados atravessaram a barreira essa madrugada.

Soltei um suspiro cansado.

— O que eu posso dizer? Esses lycans só sabem dar problema.

Elara arqueou uma sobrancelha.

— Você sabe que você também é uma lycan, né?

Olhei para ela com um sorriso torto.

— Meia.

Ela riu.

— Continua sendo.

Dei de ombros.

— Prefiro acreditar que herdei só a parte humana.

Elara me lançou um olhar divertido.

— Seu pai teria um infarto se escutasse isso.

Sorri.

— Mais um motivo pra eu não falar na frente dele.

As duas rimos enquanto saíamos de casa.

Naquele momento, eu ainda acreditava que aquela seria apenas mais uma noite de trabalho.

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