O Homem Que Escrevia Silêncios
Arthur POV

Dizem que o silêncio é ausência.

Mentira.

O silêncio é aquilo que sobra quando a verdade não cabe em palavras.

E foi no silêncio que aprendi a amar Isabela.

Não no altar branco, nem nas noites planejadas por nossas famílias.

Mas nos instantes que não foram roteirizados — os momentos em que ela esquecia quem era, e eu fingia não perceber.

Lembro-me do primeiro encontro.

Lucienne Genevesse serviu o vinho.

Meu pai discursou sobre fusões, mercados e legado genético.

E eu, ao invés de responder, olhei para ela.

Isabela não piscava.

Tinha o olhar de quem aprendeu a medir tudo — até o amor — em unidades de poder.

“Você tem jeito de não acreditar em ninguém,” disse eu, sem pensar.

Ela arqueou uma sobrancelha.

“E você tem jeito de querer consertar o que não entende.”

Naquele instante, algo se deslocou dentro de mim.

Um aviso, talvez.

Ou um prenúncio.

Cresci entre fórmulas, contratos e cifras.

Aos dez anos, já sabia que Monteiro era um nome herdado, não escolhido.

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