(Cael POV)
O primeiro som que Cael escutou foi o próprio coração.
Não era carne — era o ruído grave do sistema iniciando, um pulso elétrico tentando imitar a vida.
As câmaras de contenção de Aurora estavam vazias, mas a rede ainda respirava; e no centro, entre fragmentos de luz e ruínas de metal, Cael despertou.
A dor vinha em ecos: lembranças que não lhe pertenciam.
Uma mão que segurava outra — delicada, coberta de anéis — e uma voz:
“Prometa que não deixará que eles apaguem o que somos, Arthur.”
Ele piscou.
O nome Arthur reverberou como um erro de sistema.
Quem era Arthur?
Quem, afinal, era ele?
O espaço ao redor piscava em azul. O laboratório subterrâneo havia sido parcialmente engolido pela vegetação. Raízes cortavam o concreto, fios estalavam sob o toque úmido das paredes.
O ar cheirava a ferro e chuva antiga.
O projeto Aurora, que um dia fora o maior centro de pesquisa do planeta, agora dormia sob o peso da própria arrogância.
Cael levantou-se com esforço.
Cada moviment