Gabriela Monteiro – POV
O amanhecer sobre a Cidade Alta tinha um tom metálico, quase líquido. As janelas panorâmicas da torre Monteiro refletiam o mar distante como um espelho quebrado — fragmentos de luz escorrendo pelas paredes de vidro.
Gabriela observava o horizonte há minutos, imóvel, com o olhar frio de quem não via o mundo, mas calculava o que ainda podia dominar dele.
O tempo parecia não tocá-la. Aos sessenta e três anos, a matriarca da família Monteiro mantinha o mesmo porte ereto, o