Isabela POV
O som do mar ainda me perseguia. Mesmo nas paredes subterrâneas, eu podia jurar que o vento carregava resquícios do amanhecer — a lembrança do último dia em que o mundo respirou em paz.
A palavra Renascimento ainda vibrava em algum ponto do peito, como se o metal da moeda tivesse deixado sua marca sob a pele.
A escada se abriu sob os meus pés como uma boca de concreto. Cada degrau devolvia um eco seco, afiado — como se a própria estrutura perguntasse por que havíamos voltado.
Minha mão segurava firme a moeda com o “A” gravado. O metal estava frio, mas o calor interno persistia, uma lembrança viva do que fora prometido e traído.
O corredor que levava à porta secreta da Genevesse era um túnel administrativo antigo, com painéis embutidos e telas projetando cartografias da cidade em linhas de luz trêmulas. Sensores piscavam, preguiçosos. Por cima de tudo, o ruído surdo da máquina — a sensação de que alguém havia colocado fita adesiva nos sons do mundo.
Eu nunca aceitei segredos