P.O.V. Isabela
O mar sempre lhe pareceu o mesmo — um espelho que devolvia verdades que ela fingia não ver.
Ali, na varanda de Liorne, o som das ondas trazia de volta lembranças que o tempo não apagara, apenas reorganizara como arquivos perdidos.
Ela se lembrava do dia do casamento como quem revisita uma cena antiga — cada movimento cronometrado, cada olhar ensaiado.
Nada fora deixado ao acaso.
— Três anos antes
O salão principal da mansão Vasconcellos brilhava em tons de ouro e marfim.
Os convidados se moviam como sombras elegantes, sussurrando sobre a união entre as famílias mais poderosas de Eurídia.
Um casamento político, diziam. Um pacto de sangue moderno.
Isabela estava de branco, mas não de noiva — de guerreira.
O vestido era uma armadura de seda e cristais, desenhado para intimidar, não seduzir.
Seus olhos verdes esmeralda, frios como o gelo, varreram a multidão até encontrarem Arthur.
Ele estava no altar, alto, moreno, os cabelos loiros penteados para trás, o olhar azul