CAPÍTULO 157
Quando a verdade sangra sem deixar marca
LUCAS SANTORO
A neve afinou para garoa quando arrastamos os dois do café. Ninguém viu, ninguém soube. Paris continuou linda do lado de fora; do lado de dentro do meu mundo, a beleza sempre foi um disfarce.
Levei os ratos para um porão a três quarteirões dali, uma garagem antiga de portas de ferro onde já escondi carros, pessoas e verdades. Piso de cimento, lâmpada fria, uma mesa de metal. Não precisávamos de sangue — precisávamos de palavras certas, ditas no lugar certo, gravadas da forma certa.
— Sem cortes, sem ossos quebrados — eu disse, enquanto Marco e Armand prendiam os dois em cadeiras com cintas de nylon. — Quero eles falando. O resto é barulho.
Um deles tinha a boina preta; o outro, o casaco marrom. Dei-lhes novos nomes na minha cabeça: Boina e Marrom. Boina tentava parecer valente; Marrom tremia nas mãos, mas não nos olhos. Soldados. Alguém os treinou para engolir o medo e cuspir silêncio.
Sentei diante de Boina. Um metr