CAPÍTULO 158
Quando a neve encobre as pegadas do inimigo
LUCAS SANTORO
Antoine mordeu a bochecha por dentro. Gente que quer viver olha para a vida antes de decidir. Ele olhou. E falou.
— O consultor mudou de carro duas horas atrás. — A voz dele tremeu e voltou. — Embaixo do café há uma garagem. Ele trocou por um cinza, placa “emprestada” de um diplomata. Tem um… um porão em Belleville. Eles usam para “guardar”. Para esperar.
— Guardar quem?
— A mulher. — Ele não me olhou. — Se você falhasse.
Não falhei.
Fiz sinal. Marco saiu. Armand me entregou dois envelopes: passagens, dinheiro, documentação limpa. Empurrei para a mesa.
— Antoine Girard, você acabou de escolher viver. — Apontei para a câmera. — Repita a frase: “Nicola Versari coordenou, a mando de Alessandro Versari, a vigilância e possível sequestro de Alinna Tavares na cidade de Paris.”
Ele repetiu. Palavra por palavra. Voz firme no fim. Não há som mais doce numa guerra do que uma confissão limpa.
Boina ainda tentava parecer roc