CAPÍTULO 152
Quando a lealdade vira ameaça
CAIO MOREAU BASTIEN
A tela da televisão tremia em cores e sons dentro do quarto da clínica. Eu não piscava. Cada palavra dela atravessava minha pele como tatuagem em carne viva. Alinna em Paris, erguendo a voz, respondendo aos repórteres como se o mundo tivesse finalmente entendido quem ela era. Não a viúva enfeitada de Eduard. Não a boneca que esconderam atrás de cortinas. Mas a mulher que eu sempre soube que existia: firme, inteligente, imbatível.
Meu coração se contorcia de orgulho e dor ao mesmo tempo. Queria estar ali, segurando a mão dela. Queria ter sido eu a vê-la entrar naquela sala de imprensa, os olhos decididos, o corpo ereto. Mas eu estava aqui, com as costas coladas na cama, prisioneiro de um corpo que teimava em não reagir.
O close mostrou Lucas ao lado dela. Camisa alinhada, gravata escura. Mas eu sabia. Dentro daquela camisa estava a câmera discreta que ele usava para me mostrar tudo. E eu via. Cada detalhe. Cada gesto. Quan