CAPÍTULO 141
Quando um olhar se torna um fardo
LUCAS SANTORO
O relógio da parede marcava pouco antes das onze horas. Eu estava sentado na sala de espera da clínica, um copo de café frio nas mãos, olhando para o vazio. Não era a primeira madrugada que passava aqui. Desde que Caio levou aquele tiro, meu corpo parecia não descansar mais. Eu respirava a rotina dele, cada dor, cada silêncio. Era isso que um irmão de verdade fazia, não era? Estar presente.
O barulho da porta se abriu devagar, e eu não precisei olhar para saber quem era. O ar se encheu com um perfume discreto, fresco, um misto de flores e força. Levantei os olhos, e ela entrou.
Alinna.
Ela caminhava como quem dominava cada espaço em que pisava. O salto médio batia firme contra o piso, não arrogante, mas seguro. O conjunto de linho claro se ajustava perfeitamente ao corpo dela, valorizando a postura ereta, a cintura marcada, o movimento delicado das mãos que carregavam uma bolsa com a mesma confiança de quem já carregou mun