A Bastarda do Alfa: Sob a Lua das Três Garras

A Bastarda do Alfa: Sob a Lua das Três GarrasPT

Lobisomem
Última actualización: 2026-02-28
AnglicaLuiza   Recién actualizado
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Resumen
Índice

Humilhada. Filmada. Ridicularizada. Lucy sempre foi tratada como ninguém: a garota gorda, desajeitada, filha da empregada, criada para servir e aprender a se calar. No último ano do ensino médio, ela cai na armadilha perfeita: um falso encontro que termina em vergonha pública e destruição total. Mas ao fugir daquela noite, Lucy cruza o caminho errado… ou o certo. Um alfa poderoso reconhece em sua pele uma marca proibida, reservada apenas aos herdeiros da alcatéia Blackmoor. Uma verdade escondida por dezessete anos vem à tona: Lucy não é bastarda de ninguém; ela é filha do alfa. Traições, troca de bebês, rituais sombrios e ambição feminina são expostos diante do Conselho Lupino. A garota rejeitada é reclamada pelo sangue. O herdeiro criado como príncipe descobre que talvez nunca tenha pertencido àquele lugar. Agora, Lucy precisa sobreviver em uma alcatéia que a despreza, enfrentar a inveja, o desejo e o ódio, e aprender a carregar um poder que nunca pediu. Sob a Lua das Três Garras, ninguém escapa do próprio destino.

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Capítulo 1

1

A noite caia com certo charme; as estrelas aparecendo timidamente no céu, o cenário perfeito.

A água refletia a lua em ondas lentas, e o silêncio do condomínio fechado dava a falsa impressão de segurança. Lucy manteve a blusa por cima do biquíni, os braços cruzados junto ao corpo, como se pudesse se esconder de si mesma.

Nunca tinha usado um biquíni antes.

— Você pode tirar, se quiser — Dustin disse, com a voz baixa, quase doce. — A gente tá sozinho.

Ela balançou a cabeça, nervosa.

— Eu… eu não costumo…

— Lucy — ele sorriu, daquele jeito que a fazia acreditar. — Você é linda. Não precisa ter vergonha. Se quiser tirar só a blusa… ou até o biquíni. Eu gosto de você do jeito que é.

O coração dela disparou.

Ninguém nunca tinha dito aquilo.

Com dedos trêmulos, ela puxou a blusa devagar, revelando parte do biquíni simples, recatado demais. Não combinava com aquele lugar. Nem com ele. Mas, por um segundo, ela acreditou que talvez combinasse consigo.

Foi então que ouviu a risada.

Abafada. Vinda do arbusto.

Um murmúrio logo em seguida.

O corpo de Lucy enrijeceu antes mesmo da mente entender, abaixou novamente a camisa, assustada. O instinto lupino agiu tarde demais.

O cheiro.

Era inconfundível agora. Forte. Jovem. Familiar.

Como ela não sentira antes?

Como foi tão burra?

Quatro garotos surgiram entre as sombras. Os jogadores do time de futebol. Sorrisos fáceis. Olhares cruéis. E, com eles, ela. Jeniffer.

A garota era tudo que Lucy jamais seria: alta, confiante, corpo moldado para ser admirado, cabelo perfeito caindo como propaganda. O riso dela era alto. Satisfeito. O celular erguido, gravando cada segundo.

— Olha pra ela… — ela murmurou, rindo.

Lucy levou as mãos ao corpo, tentando se cobrir, o rosto queimando.

— Dustin… — Lucy murmurou, a voz fraca pedindo por ajuda, mas ela não veio.

Dustin deu um passo para trás.

E então falou.

— Achou mesmo que eu ia querer você? — a voz dele já não tinha nada de doce. — Se toca. Você não pertence a esse lugar.

As risadas vieram em coro.

— Acha que é alguém porque anda por aqui? — ele continuou. — Você é só a filha da empregada dos Halley. Não é ninguém.

O celular da garota se aproximou mais.

Lucy não ouviu o resto.

Virou-se e correu.

O portão do condomínio pareceu distante demais. A noite engoliu seu choro enquanto ela atravessava as ruas vazias, os pés descalços batendo no asfalto frio, o coração fora do ritmo.

O carro surgiu rápido demais.

O freio gritou. O impacto não veio por centímetros.

— Ei! — a voz masculina soou dura, alarmada. — Você é louca?!

Ela recuou, trêmula.

O homem desceu do carro. Alto. Imponente. O tipo de presença que impunha respeito sem esforço. O olhar dele percorreu a cena: a garota chorando, descalça, mal vestida; e algo mudou.

— Você é menor de idade — constatou. — Onde você mora?

Lucy engoliu em seco.

— Eu… eu moro perto — mentiu, a voz falhando. — Tô chegando…

— Não — ele cortou. — A essa hora, desse jeito? Entra no carro.

Ela hesitou. Tudo nela gritava inadequação. Medo. Vergonha.

Mas obedeceu.

O silêncio dentro do carro era pesado. Lucy puxava a camisa de alça larga para baixo o tempo todo, tentando cobrir o corpo. Nunca tinha usado algo assim. Sempre fora das mangas longas, das roupas largas que escondiam tudo.

Agora, um ombro ficava à mostra.

E foi ali.

Entre a alça do biquíni e o tecido da camisa, um pequeno trecho de pele apareceu.

A marca de nascença.

Discreta, mas impossível de confundir: a lua irregular marcada por três linhas naturais, como garras antigas. Um símbolo que não existia por acaso. Um sinal que atravessava gerações.

O homem desviou o olhar da estrada por um segundo.

Não.

Não podia ser.

Ele conhecia aquela marca. Conhecia bem demais.

Lucy percebeu o silêncio mudar, mas não entendeu por quê. Apenas encolheu o corpo no banco, desejando desaparecer mais uma vez enquanto o silêncio no carro deixava de ser apenas pesado e passava a ser avaliador.

Lucy sentia o olhar dele deslizar de forma contida, não invasiva, mas atenta demais para alguém que dizia apenas estar ajudando. Cada vez que ela se mexia para puxar a camisa, tinha a sensação de estar sendo observada, mas não com desejo, porém com algo mais frio. Mais profundo.

Investigação.

— Qual o nome da sua mãe? — ele perguntou de repente.

A voz saiu ríspida, quase dura demais para quem acabara de evitar um atropelamento. Lucy se encolheu no banco.

— Janet… Janet Marshall — respondeu baixo. — Mas… ela já é falecida.

O homem apertou o volante com mais força.

— Falecida quando?

— No meu nascimento — disse ela, o olhar caindo. — Não convivi com ela. Fui criada pelos patrões… minha mãe não tinha família. Nunca conheci meu pai.

A palavra pai ficou suspensa no ar.

O nome não lhe dizia nada. Janet Marshall não existia em sua memória. Nunca fizera parte de sua alcatéia. Nunca fora apresentada. E ainda assim…

A marca.

Aquela maldita marca.

Ele voltou a olhar para o ombro dela, agora cuidadosamente coberto. Não precisava ver de novo para saber que estava lá. A primeira mulher com aquela marca e sequer a conhecia; pela idade, ela tinha que ser filha de um Blackmoor.

Se não era dele…

Só podia ser de sangue direto.

Os irmãos? Não. Jamais. A decência era uma regra entre eles. Um pilar. Nenhum teria escondido algo assim.

Então como?

— Você é loba? — perguntou, direto.

Lucy piscou, surpresa.

— Dizem que sou híbrida — respondeu, insegura. — Talvez eu seja. Eu não… — hesitou. — Não sou ágil. Não tenho bons instintos. Nem sinto as coisas como dizem que os lobos sentem.

Ela soltou um riso curto, sem humor.

— Acho que falhei nisso também.

Aquilo apertou algo no peito dele.

Híbrida.

Marcada.

Rejeitada pela própria natureza.

— Alguma vez você já mudou? — ele perguntou. — Sentiu algo… diferente em noites de lua cheia?

— Não — Lucy respondeu rápido demais. — Nunca.

Ela desviou o olhar para a janela, o condomínio passando lento demais. Estava cansada. Exposta. Cada pergunta a fazia se sentir ainda mais inadequada, como se estivesse sendo testada… e falhando de novo.

— Você mora com os Halley. Bom, aqui está a casa dos Halley — ele constatou, ao ver a fachada se aproximando.

Lucy assentiu.

O carro parou em frente à casa.

As luzes estavam apagadas.

Ele desligou o motor, mas não saiu imediatamente. Ficou ali, imóvel, como se a deixá-la ali fosse mais difícil do que trazê-la.

— Entre — disse por fim, seco, abrindo a porta. — Está tarde.

Lucy desceu rápido, o corpo ainda encolhido dentro de si.

— Obrigada… senhor — murmurou, sem saber como chamá-lo.

Ele a observou caminhar até a porta. Pequena. Frágil. Com um peso que não deveria carregar sozinha.

Quando Lucy entrou na casa, ele permaneceu no carro, encarando o volante como se fosse um inimigo antigo.

Aquilo não fazia sentido.

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