EDUARDO
O dia tava calmo. Calmo demais, até.
Enzo tinha voltado da escola com os olhos brilhando, uma leveza nos passos que a gente não via há semanas. Assistiu desenho rindo alto, daquele jeito que faz a casa toda parecer viva. Quando pediu pizza pro jantar, Sofia me lançou um olhar cúmplice por cima da mesa. Um daqueles olhares silenciosos que dizem tudo: talvez esteja funcionando… talvez ele esteja começando a curar.
Mas a paz tem o péssimo hábito de ser breve.
O interfone tocou.
Uma vez só.