ENZO
A sala da terapeuta tinha brinquedos coloridos, um tapete fofinho no chão e cheiro de lápis de cor. Parecia uma escolinha, mas eu sabia que não era. Porque lá, ninguém mandava desenhar árvore nem contar até dez. Lá, queriam que eu falasse.
E eu não gostava de falar. Falar fazia um nó na garganta. Igual quando a gente tenta chorar escondido e não consegue respirar direito.
A terapeuta tinha um jeito calmo, bem calmo, como a tia Márcia quando me dava doce escondido da mamãe. A voz dela era b