Helena me encontra no meio do corredor, como se tivesse surgido do nada.
— Precisamos preparar o lanche da Aurora — diz, já andando. Não é um pedido. É um fato.
— Claro — respondo na hora, acompanhando.
Lavo as mãos e olho em volta, meio sem saber onde mexer.
— Posso cortar as frutas? — pergunto, apontando para a bancada.
Helena me observa por um segundo a mais do que o necessário, avaliando. Depois assente.
— Maçã e banana. Em pedaços pequenos.
— Certo.
O barulho do corte quebra o silêncio, simples, doméstico. Estranhamente reconfortante.
Aurora aparece encostada na porta da cozinha, esfregando os olhinhos, ainda meio sonolenta. Quando me vê, o rosto dela se ilumina um pouquinho.
— Isa…
— Oi, pequena — sorrio. — Já acordou?
Ela balança a cabeça e vem até mim, sem pedir permissão, segurando a barra da minha camiseta.
Meu peito aperta de um jeito bom.
— Banana — ela aponta, séria.
— Banana é uma ótima escolha — digo, entregando um pedacinho para ela.
Lucas surge na cozinha como quem só