Eu sei que foi o senhor.
Adrian sai cedo. Não vejo ele passar. Só percebo quando a casa fica mais silenciosa. Helena comenta, enquanto organiza a mesa, que ele não vem para o almoço. Assinto. Não sei por que isso me chama atenção, mas chama.
Depois do café, a pequena dorme quase o dia todo. Acorda para almoçar e, ao anoitecer, Aurora aparece decidida. Segura minha mão e puxa.
— Brinquedos.
Não é pedido. É aviso.
A sala de brinquedos é grande, cheia de coisas que parecem novas demais. Sento no chão e pego alguns blocos. Começo a montar um bonequinho torto, sem pensar muito.
Aurora observa em silêncio.
Chega mais perto, devagar. Se agacha. Coloca um bloco em cima do meu. Depois outro. Concentrada.
Não digo nada. Deixo.
Logo estamos montando juntas. Eu seguro uma peça, ela encaixa outra. Ela ri quando quase cai. Eu seguro de novo. Ela ajeita.
Funciona.
É simples. E é bom.
Meu celular vibra ao meu lado.
Ignoro.
Vibra outra vez.
Pego, distraída.
Mensagem do locador.
“Agradecemos os pagamentos realizados. Esperamos