Anny
As mudanças começaram a aparecer devagar, como quem pisa em vidro. Samuel passou a dormir mais vezes na poltrona do quarto do que no próprio quarto oficial. As portas da ala principal demoravam um pouco mais para se fechar na minha cara.
Soraya me olhava diferente, como se finalmente entendesse que eu não ia desaparecer só porque isso seria mais conveniente.
Mesmo assim, a desconfiança não saía do meu corpo. Era como se eu tivesse aprendido a dormir com metade do cérebro acordado, esperando o próximo golpe.
Num fim de tarde, depois de colocar Andryel pra dormir, Samuel entrou no quarto com o celular na mão e o maxilar travado.
— Precisamos conversar. — ele disse.
Sentei na cama, já esperando o pior.
— O que foi agora? — perguntei. — Conselho, imprensa, Sarah, família… escolhe um.
Ele soltou o ar devagar.
— O divórcio vai parar na imprensa. — falou. — É questão de tempo. Não dá pra esconder um processo desse tamanho, com meus pais, a empresa, os advogados. Vai vazar.
O estôma