Samuel
O dia seguinte começou com a sensação de que eu tinha atravessado uma linha invisível. Dormir foi quase nada, mais cochilos quebrados do que descanso.
Quando o sol entrou pela fresta da cortina, eu ainda estava sentado na mesma poltrona da noite anterior, vendo Anny abraçada ao Andryel como se o mundo inteiro pudesse desabar em volta.
A cena da véspera não saía da minha cabeça… ela no chão do quarto antigo, mãos sangrando, dizendo que tinham roubado nosso filho. Eu sabia que, se continuasse tentando equilibrar dois lados, família e verdade, ia perder os dois.
Então comecei pelo óbvio. Peguei o celular, ainda ali, no quarto.
— Preciso falar com você hoje. — mandei mensagem para o meu advogado particular. — Não é mais sobre “preparar terreno”. É pra fazer acontecer.
Ele respondeu em minutos, acostumado ao meu tipo de urgência.
— “Reunião na sua sala às 10h.”
A sala de reuniões onde eu recebia fornecedores virou cenário de outra coisa. Meu advogado colocou uma pasta grossa sob