Samuel
Eu já entrei em muita sala pronta para briga. Mas nunca entrei em nenhum lugar como entrei naquele quarto. Anny estava no chão.
Quarto estreito, cama de solteiro encostada na parede, armário pequeno. O mesmo quarto em que ela dormia quando era “só funcionária”. O mesmo quarto em que eu, um dia, entrei achando que podia ter qualquer coisa que quisesse.
Agora, ela estava encolhida no canto, as costas na parede, as mãos cheias de sangue seco.
— Anny… — foi tudo o que saiu.
Ela levantou o rosto devagar. Os olhos inchados, a voz rouca.
— Eles roubaram o nosso filho de mim. — repetiu.
Senti o coração errar o passo. Me ajoelhei na frente dela, sem pensar em terno, em dignidade, em nada.
— Como assim? — perguntei. — O que aconteceu? Onde ele está?
As palavras saíram aos pedaços. Ela contou sobre as enfermeiras, sobre a conversa de Sarah, sobre a minha mãe tentando fazer o papel de “sensata”, sobre Andryel chorando enquanto era levado pela primeira vez para longe do peito dela.
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