Anny
Quando dizem que tragédia acontece de uma vez, é mentira. Ela vem em etapas. No dia da coletiva, a mansão estava mais agitada que o normal.
Samuel saiu cedo, de terno escuro, a gravata mais justa do que o comum. A mãe dele também foi com o pai para a sede da empresa. Reunião com conselheiros, comunicados, tudo aquilo que eu só conhecia de ouvir falar.
Fiquei no quarto com o Andryel. Ele estava mais calmo naquele dia, como se não sentisse o peso que o próprio nome carregava lá embaixo. Amamentação, troca de fralda, fiz ele rir com caretas que eu nunca imaginei ter coragem de fazer sob o teto daquela casa.
Foi no começo da tarde que a porta se abriu sem que eu tivesse ouvido batida.
Sarah.
Impecável, como sempre. Cabelo preso, roupa sóbria, perfume caro invadindo o quarto. Atrás dela, duas mulheres que eu não conhecia, jaleco discreto, prancheta na mão, cara de profissional treinada. Mais ao fundo, uma das funcionárias que fazia turnos na ala principal.
— Boa tarde, Anny. — Sar