Anny
Eu sempre soube quando a mansão estava prestes a explodir, mesmo que ninguém me contasse nada.
As paredes daqui são grossas, mas não o suficiente pra segurar grito, porta batendo e gente falando baixo demais nos corredores. Nos últimos dias, tudo isso aumentou.
Samuel anda pela casa como quem tenta achar saída num labirinto. Telefones tocam o tempo todo, ele entra e sai de reuniões, fecha portas que antes deixava entreabertas. Até o jeito dele segurar o próprio terno mudou, como se o tecido pesasse mais.
Eu continuo na minha rotina de “babá oficial”. Troco fralda, dou banho, canto musiquinha inventada, tento fazer Andryel dormir enquanto o mundo adulto lá embaixo decide o destino da empresa, do casamento e, de quebra, da nossa vida. Mas não sou mais a menina que aceita viver no escuro.
Numa manhã, estou na copa com a governanta, preparando a mamadeira com leite materno, quando duas funcionárias entram, achando que não tem ninguém perto.
— Eu soube que o conselho quer tirar o pr