Samuel
A primeira bomba não explodiu na sala de reuniões. Explodiu na tela do meu celular. Acordei com o aparelho vibrando sem parar. Grupos de mensagens da diretoria, do jurídico, da assessoria de imprensa, todos com o mesmo link.
— “Possível herdeiro escondido do presidente da Zaskc Joias.” — dizia a manchete de um blog de fofoca, seguida de uma foto ruim minha entrando em um hospital pediátrico, de máscara, boné, e uma mulher de cabelos escuros ao lado, de costas, segurando um bebê.
Anny.
O rosto dela não aparecia, mas, pra quem nos conhece, não precisava. O texto falava em “criança recém‑nascida”, “mãe misteriosa”, “crise no casamento”, tudo embalado naquele tom de certeza que blog nenhum deveria ter.
Em menos de duas horas, outros sites replicaram a notícia. Uns aumentaram, outros distorceram.
— “Presidente de gigante das joias tenta esconder filho fora do casamento.” — lia‑se em outro lugar.
— “A empresa não se pronunciou.”
Claro que não. Eu ainda estava tentando entender