Samuel
A vida virou dois mundos diferentes que quase nunca se tocam. De um lado, o mundo das câmeras. Terno impecável, gravata alinhada, Sarah ao meu lado, sorriso ensaiado. Eventos da Zaskc, lançamentos de coleções, entrevistas sobre “perspectivas de crescimento” e “futuro da família Zaskc”.
É nesse mundo que continuo oficialmente casado. Quando um jornalista pergunta sobre filhos, respondo com frases neutras.
— A família está em fase de reestruturação. — digo. — Quando houver algo a ser compartilhado, vocês saberão.
Não falo de Andryel. Para a imprensa, ele ainda é só um recém nascido, um sussurro nas colunas de fofoca, um “possível herdeiro” sem nome. Sarah sabe jogar com isso. Aperta meu braço, finge que está tudo bem, que somos o casal sólido de sempre.
Do outro lado, o mundo real. É o corredor mais quieto da ala intermediária da mansão. O quarto que foi adaptado para Anny e para o bebê, a luz baixa, o cheiro de leite e talco, a camiseta que ela usa porque nada mais é confortáv