Anny
Os primeiros dias em casa provaram que ninguém exagera quando fala sobre cansaço. De madrugada, o quarto fica meio azul pela luz que entra pelas frestas da cortina. Andryel chora num tom que eu já reconheço de longe, não é manha, não é só barulho. É chamado.
Levanto como dá. O corpo ainda dói, lateja, a cabeça parece cheia de algodão. Mesmo assim, quando escuto o choro, não existe sono que segure.
Samuel pegou o berço que montamos, colocou encostado na parede do nosso quarto, “nosso” ainda soa estranho na minha cabeça. Mas, na prática, Andryel passa mais tempo no meu colo do que nele.
Na terceira noite seguida quase sem dormir, a enfermeira que a família contratou entra no quarto com passos suaves.
— Anny, você precisa descansar. — ela diz, baixinho. — Posso levá-lo um pouco para o quarto infantil. A babá auxiliar da conta, você dorme algumas horas.
Olho para o colo, onde ele mama com os olhos semicerrados, como se o mundo inteiro fosse só aquele peito.
— Não. — respondo, simp