Anny
Com dois meses, Andryel já conhece a casa melhor do que muita gente grande.
Ele conhece o caminho entre o nosso quarto e a cozinha, onde a governanta sempre dá um jeito de deixar um café fresco para mim. Conhece o som do elevador interno, o eco do corredor da ala principal, o barulho da fonte no jardim. E, mais que tudo, conhece o meu colo.
Nos primeiros dias, eu quase não saía do quarto. Agora, começo a atravessar a mansão com ele nos braços, como quem testa o próprio território. Alguns funcionários me cumprimentam com respeito tímido.
— Bom dia, Anny. — sussurra uma das copeiras, abrindo passagem.
Outros evitam meu olhar. Ouço comentários, sussurros que param quando eu chego perto. Não sou mais “só empregada”. Sou a mulher que carrega o herdeiro no colo. Isso incomoda.
Sinto no jeito como alguns desviam, como se meu corpo fosse linha que separa dois mundos, o da família e o dos funcionários. Eu caminho exatamente em cima dessa linha, com o bebê grudado em mim.
Samuel, quando