Capítulo 29

Anny

Eu sempre achei que dor era coisa de gente que tinha tempo para sentir. Na minha infância, dor era só mais uma parte do dia. Doía o pé descalço no chão quente, doía o estômago vazio, doía ouvir minha mãe pedindo fiado na vendinha.

A gente aprendia cedo a engolir tudo calado, porque chorar não enchia panela. Mas nada disso prepara para a dor que começa agora.

Estou deitada na maca, luz forte em cima, cheiro de hospital invadindo tudo. As contrações vêm como ondas que não respeitam horário, nem cansaço, nem medo. Começam nas costas, abraçam a barriga, descem pelas pernas.

No intervalo entre uma e outra, parece que o mundo volta ao normal por alguns segundos… até a próxima bater.

Samuel está ao meu lado, de avental, touca ridícula na cabeça. Se não fosse o contexto, seria engraçado ver o presidente da Zaskc assim.

— Olha pra mim. — ele repete, segurando minha mão. — Só pra mim. Esquece todo o resto.

É fácil mandar esquecer quando não é o seu corpo que está sendo virado do aves
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