Samuel
O quarto está quieto de um jeito estranho. Não é silêncio de mansão, cheio de paredes grossas e segredos. É um silêncio cheio de respiração, de maquininha apitando baixo, de passos de enfermeira no corredor.
Anny dorme na cama, exausta. Os cabelos grudados na testa, o rosto ainda marcado pelo esforço, a mão solta sobre o lençol como se tivesse parado no meio de um gesto de proteção.
A cada tanto, ela solta um suspiro pesado, como se o corpo estivesse tentando acreditar que acabou.
Eu