Samuel
Eu sempre achei que nada era mais importante do que uma reunião cheia de gente importante dizendo palavras difíceis. Até hoje.
Estou sentado na ponta da mesa de conselho, gráficos projetados na tela, um diretor falando sobre números que eu mesmo já tinha decorado, quando o celular vibra no bolso do paletó. Ninguém liga direto para mim no meio de uma reunião dessas, a não ser que algo tenha saído seriamente do controle.
Olho para o visor. É a médica de Anny. O coração erra um passo.
— Com licença. — falo, já me levantando.
Meu pai franze a testa na cabeceira.
— Samuel, ainda estamos discutindo o balanço… — ele começa.
— Continua discutindo. — corto, saindo da sala.
Atendo no corredor.
— Doutora?
Do outro lado, a voz vem firme, mas acelerada.
— “A Anny está com dores fortes e contrações regulares. A princípio, parece o início do trabalho de parto, mas vamos avaliar melhor no hospital. Já estamos encaminhando o transporte.”
Por um segundo, o mundo inteiro encolhe para caber numa