Anny
Nos dias seguintes àquela madrugada na cozinha, a esposa do presidente some dos corredores barulhentos e passa a circular como fantasma, aparece pouco, fala menos ainda, mas todo mundo sente. A casa inteira parece andar na ponta dos pés.
Eu noto nos detalhes.
Numa empregada nova que desvia o olhar rápido demais quando me vê passar. Num segurança que antes dizia “bom dia” sem pensar e agora engole a saudação no meio. Em duas funcionárias cochichando perto da lavanderia e mudando de assunto assim que percebem que estou por perto.
O que já era desconforto vira certeza quando passo pelo jardim lateral, em uma das saídas controladas que a enfermeira chama de “caminhada terapêutica”.
O jardim é menos imponente que a fachada principal, tem bancos, árvores mais baixas e um portão de serviço por onde entram prestadores de serviço. Nesse dia, tem uma moça nova perto do canteiro, mexendo em caixas de flores. Rosto que não conheço. Uniforme do fornecedor de paisagismo.
Ela me olha, olha pa