Anny
Até então, eu sabia que estava grávida pelos exames, pelos remédios, pelas visitas da enfermeira. Mas, naquele dia, foi o meu corpo que avisou de novo que não estou sozinha nessa vida.
Acordei com um enjoo que não era só incômodo. Era como se o estômago tivesse sido virado do avesso. O cheiro do café, que já vinha me incomodando, dessa vez parecia um soco.
Levantei rápido demais da cama e o quarto girou.
— Calma, menina. — a governanta, que tinha acabado de entrar com a bandeja, correu para segurar meu braço. — Respira.
Tentei, mas o ar parecia pesado.
— Estou bem. — menti, tropeçando até o banheiro.
Não cheguei a vomitar, só fiquei ajoelhada na frente da privada, respirando fundo, sentindo a testa suar frio. O piso de mármore, gelado, ajudou a me trazer um pouco de volta.
— Isso não é só enjoo. — falei, mais para mim do que para ela.
Ela me ajudou a levantar, me guiou até a cama.
— Você precisa descansar. — repetiu.
— Eu preciso andar. — corrigi. — Se ficar parada, parece que