Samuel
Algumas semanas depois da assinatura do contrato, a mansão continuava igual. Eu é que não. Os dias se misturavam em reuniões, e-mails, telefonemas.
A vida lá fora seguia num ritmo calculado, mas dentro da mansão tudo girava em torno de uma barriga que começava a existir. E, quanto mais ela crescia, mais ficava difícil fingir que aquilo era apenas um “problema a ser gerido”.
A primeira vez que vi de verdade o volume sob o vestido da Anny foi num fim de tarde qualquer. Eu subia para o quarto dela com uma desculpa qualquer, perguntar se estava precisando de algo, saber do médico, checar se os remédios estavam em dia. No fundo, só queria ver com os próprios olhos o que, até então, era mais ideia do que realidade.
Bati na porta.
— Entra. — a voz dela respondeu.
Abri e encontrei Anny em pé, de lado para o espelho, ajeitando o vestido simples de algodão. Era justo o suficiente para marcar a curva nova. Não era grande, nem exagerada. Mas estava ali. Pequena, firme, impossível de ign