Anny
Aprendi rápido que, se eu ficasse parada, aquela casa me engolia.
O contrato já estava assinado, a barriga ainda mal tinha começado a existir de verdade, mas as decisões sobre a minha vida continuavam sendo tomadas em mesas onde eu não sentava. Foi aí que eu entendi… ou eu puxava uma cadeira, ou iam me deixar em pé para sempre.
Na manhã em que tudo mudou um pouquinho, a enfermeira entrou avisando:
— A dona Soraya pediu para você descer. Tem uma reunião com o advogado.
A palavra “reunião” me deu um embrulho no estômago pior que enjoo de grávida. Mesmo assim, levantei, vesti uma roupa simples e desci.
A sala escolhida não era a principal, cheia de lustres. Era um escritório menor, mais íntimo. Soraya estava sentada à cabeceira da mesa. Ao lado dela, o mesmo advogado que tinha trazido o contrato de confidencialidade. Havia uma cadeira vazia em frente.
Sentei. Ninguém me ofereceu água, café, nada. Pelo menos ofereciam a ilusão de diálogo.
— Chamamos você para alinhar alguns detalhe