Samuel
Meu pai sempre disse que números não mentem. O problema é que, naquele dia, quem mentia eram as entrelinhas.
Fui chamado para o escritório dele logo depois do almoço. A porta já estava entreaberta, sinal de que eu não tinha muita escolha. Entrei.
Joshua Zaskc estava sentado atrás da mesa antiga, aquela de madeira escura que já tinha visto mais golpes de mercado do que eu tinha anos de vida. Na tela, vários gráficos abertos. Sobre a mesa, um maço de folhas impressas e alguns recortes de sites.
— Sente-se. — ele disse, sem rodeios.
Obedeci, mais por hábito do que por respeito. Ele empurrou alguns papéis na minha direção.
— Olha isso.
Peguei o primeiro. Eram relatórios de monitoramento de mídia, pequenas quedas de confiança, comentários em redes sociais, um ou outro investidor perguntando sobre “instabilidade na vida pessoal do presidente”.
O que mais chamava atenção, porém, eram as manchetes impressas de blogs de fofoca:
— “Funcionária afastada às pressas da mansão Zaskc: promo