Capítulo 11

Anny

Descobri que o silêncio também pode ser barulhento. Acordei com a luz entrando pelas cortinas pesadas e um cheiro de hospital misturado com perfume caro.

Por um segundo, esqueci onde estava. Pensei que ainda era o quartinho do anexo, que a governanta ia bater na porta mandando eu sair para arrumar a mesa do café.

Aí virei o rosto e vi o teto alto, o lustre discreto, a varanda com cortinas claras. Mansão. Suíte de hóspede. Cela de luxo.

Alguém girou a maçaneta sem bater. A porta se abriu e uma mulher de jaleco entrou empurrando um carrinho.

— Bom dia, Anny. — disse, como se a gente fosse velha conhecida. — Sou a enfermeira Patrícia. Vou acompanhar você a partir de agora.

Ela colocou uma bandeja na mesa de apoio: café, frutas, pão, suco. Ao lado, dois copinhos com comprimidos e um papel plastificado cheio de horários.

Sentei na cama, o corpo ainda pesado de sono e preocupação.

— O que é isso? — perguntei, apontando para o papel.

Ela se aproximou.

— Seu cronograma. — explicou. —
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