Samuel
Ser presidente é tomar decisões difíceis. Eu repeti isso tantas vezes em palestras que a frase já tinha virado slogan. Até o dia em que a decisão difícil não envolveu números, mas gente.
Passei a manhã trancado na sala de reuniões menor, aquela sem janelas para o corredor. Em volta da mesa, uma fila de advogados, consultores de imagem e dois conselheiros da empresa. Todos com pastas, tablets, planilhas. Todos falando de mim e da Anny como se estivéssemos numa planilha também.
— A situação é delicada, mas administrável. — começou um advogado mais velho, abrindo uma pasta cheia de termos em juridiquês. — O contrato de confidencialidade é robusto. Se ela quebrar, podemos agir.
— Não quero agir contra ela. — cortei. — Quero evitar que o mundo a esmague.
Um consultor de imagem, terno perfeito e sorriso de comercial, se inclinou para frente.
— A questão principal é proteger a marca. — disse. — A imagem do senhor como presidente e da empresa como instituição. A narrativa oficial pre