O sonho não começou como sonho.
Começou como lembrança.
Ana estava de volta àquela noite sem perceber quando atravessara o limite entre dormir e recordar. O barulho distante da cidade existia, mas era difuso, como se estivesse sob a água. O cheiro era nítido demais. O ar frio demais. O instante anterior ao impacto reaparecia com exatidão desconfortável.
Ela o viu primeiro pelos olhos.
Azuis.
Um azul claro, atento, daqueles que parecem observar e enxergar a alma . Não era um olhar gentil, mas também não era agressivo. Era avaliativo. Presente. Inescapável uma vez notado.
No sonho, como naquela noite, Ana percebeu a estatura dele logo em seguida.
Mais de um metro e oitenta, com certeza. O corpo amplo, firme, ocupando o espaço com naturalidade, sem precisar provar nada. Ombros largos sob a camisa escura, postura segura demais para ser apenas confiança passageira. Ele se movia como alguém que estava acostumado a comandar situações, mesmo quando não queria.
Os cabelos loi