Capítulo 16 – Memória da noite

O sonho não começou como sonho.

Começou como lembrança.

Ana estava de volta àquela noite sem perceber quando atravessara o limite entre dormir e recordar. O barulho distante da cidade existia, mas era difuso, como se estivesse sob a água. O cheiro era nítido demais. O ar frio demais. O instante anterior ao impacto reaparecia com exatidão desconfortável.

Ela o viu primeiro pelos olhos.

Azuis.

Um azul claro, atento, daqueles que parecem observar e enxergar a alma . Não era um olhar ge
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