Capítulo 16 – Memória da noite

O sonho não começou como sonho.

Começou como lembrança.

Ana estava de volta àquela noite sem perceber quando atravessara o limite entre dormir e recordar. O barulho distante da cidade existia, mas era difuso, como se estivesse sob a água. O cheiro era nítido demais. O ar frio demais. O instante anterior ao impacto reaparecia com exatidão desconfortável.

Ela o viu primeiro pelos olhos.

Azuis.

Um azul claro, atento, daqueles que parecem observar e enxergar a alma . Não era um olhar gentil, mas também não era agressivo. Era avaliativo. Presente. Inescapável uma vez notado.

No sonho, como naquela noite, Ana percebeu a estatura dele logo em seguida.

Mais de um metro e oitenta, com certeza. O corpo amplo, firme, ocupando o espaço com naturalidade, sem precisar provar nada. Ombros largos sob a camisa escura, postura segura demais para ser apenas confiança passageira. Ele se movia como alguém que estava acostumado a comandar situações, mesmo quando não queria.

Os cabelos loi
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