O sonho não começou como sonho.
Começou como lembrança.
Ana estava de volta àquela noite sem perceber quando atravessara o limite entre dormir e recordar. O barulho distante da cidade existia, mas era difuso, como se estivesse sob a água. O cheiro era nítido demais. O ar frio demais. O instante anterior ao impacto reaparecia com exatidão desconfortável.
Ela o viu primeiro pelos olhos.
Azuis.
Um azul claro, atento, daqueles que parecem observar e enxergar a alma . Não era um olhar ge