Natan acordou às cinco em ponto.
Não precisou de despertador. Nunca precisara. O corpo respondia a rotinas com precisão quase irritante, como se cada dia tivesse sido previamente ensaiado. Levantou-se no escuro, vestiu a roupa de treino e saiu do quarto sem acender as luzes principais.
A casa estava completamente silenciosa.
Gostava de treinar cedo. Antes das decisões. Antes das pessoas. Antes que qualquer variável externa tivesse tempo de interferir na sua própria disciplina. Era o único momento em que o mundo parecia obedecer.
Na academia particular, os aparelhos estavam dispostos com a mesma lógica funcional que regia o restante da casa. Nada ali era decorativo. Tudo tinha um propósito.
Ele começou o treino sem música.
Movimento após movimento, o corpo respondia como sempre: eficiente, focado, controlado. Ainda assim, a mente insistia em escapar dos trilhos.
A imagem veio sem aviso.
Ana, atravessando o corredor na noite anterior.
De camisola.
Não havia nada reve