Giulia Moretti
Eu nunca tinha entrado em um carro daqueles.
Os vidros eram escuros demais. Grossos demais. Não feitos para conforto, mas para resistir a balas. O silêncio dentro dele era pesado, quebrado apenas por códigos murmurados no rádio. Dois homens na frente. Dois atrás. Todos armados. Nenhum sorriso. Nenhuma tentativa de conversa.
E, no centro de tudo isso… eu.
Uma babá.
Ou pelo menos era o que eu pensava ser antes de cruzar o caminho de Matteo Mancini.
Seguro a bolsa com força no colo enquanto o carro desliza pelas ruas de Nápoles. A cidade que sempre conheci agora parece hostil, cheia de ângulos perigosos. Cada esquina parece esconder algo. Cada moto que passa rápido demais faz meu coração disparar.
— Está tudo bem? — pergunta o motorista pelo retrovisor.
Assinto, mesmo sabendo que não está.
Nada está.
O hospital surge à frente, grande, branco demais para o tipo de homem que decidiu que eu precisava de escolta armada. Os seguranças descem primeiro, analisam o entorno, falam