LunaEu percebi que algo tinha mudado antes mesmo de Marco dizer qualquer coisa.Não foi apenas o tom de voz, nem só o olhar. Foi a maneira como ele parou perto demais quando me encontrou no corredor naquela manhã, como se o espaço entre nós tivesse sido reduzido durante a noite sem pedir autorização, como se uma linha invisível tivesse sido apagada.— Bom dia — ele disse.— Bom dia.Havia movimento na casa, vozes distantes, passos ecoando em outros cômodos, mas naquele trecho específico do corredor o mundo parecia ter diminuído de volume, como se tivesse decidido nos isolar do resto da realidade.Eu segurava o tablet em uma mão e uma pasta na outra, explicando algum detalhe técnico sobre prazos e ajustes estruturais, quando meu pé encontrou uma irregularidade mínima no piso — irônico demais para uma arquiteta — e o desequilíbrio foi rápido, silencioso, inevitável.Não cheguei a cair.De novo.A mão de Marco surgiu no mesmo instante, firme em meu antebraço, segura, quente, impedindo q
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