Dormir naquela casa foi bem mais difícil do que eu esperava. O quarto que me deram era grande, até demais, confortável, silencioso demais. Lençóis claros, móveis escuros, uma janela enorme voltada para o jardim. Tudo parecia pensado para alguém que precisava de espaço para ser sozinho — não para alguém que queria se sentir acolhida.Fiquei deitada por um tempo, encarando o teto, ouvindo o nada, não havia som de carro, nem vozes, nem vida. Quando finalmente dormi, foi um sono leve, inquieto. Acordei antes mesmo do despertador tocar. Levantei devagar, me arrumei em silêncio e saí do quarto com cuidado, como se a casa pudesse perceber qualquer movimento em falso.Na cozinha, o cheiro de café já tomava o ar. Uma das funcionárias organizava a mesa com precisão quase militar.— Bom dia — arrisquei.— Bom dia — respondeu, educada, mas distante. — A senhorita Serena, certo?Assenti.— O senhor Lorenzo costuma descer às sete. Aurora toma café às sete e meia.— Certo.Tudo ali era horário. Tudo
Ler mais