O tablet não estava protegido, essa foi a primeira coisa que me chamou a atenção.
Helena o deixava sempre por perto, mas nunca parecia preocupada com acesso. Talvez porque estivesse acostumada a ser obedecida. Talvez porque não considerasse ninguém ali uma ameaça real.
Observei durante dois dias antes de agir.
O padrão era sempre o mesmo: Helena largava o tablet sobre a mesa lateral quando entrava em reuniões com Lorenzo. Voltava minutos depois. Nunca bloqueava a tela. Nunca desconfiava.
Na terceira vez, não hesitei. Ela entrou no escritório, a porta se fechou, o tablet ficou ali.
Peguei.
Não foi um gesto impulsivo. Foi rápido, calculado. Abri os arquivos sem dificuldade, protocolos, relatórios, avaliações.
O nome de Aurora aparecia repetidas vezes, associado a termos que me gelaram por dentro: contenção, redução de estímulos, isolamento progressivo. Não havia crueldade explícita ali, havia algo pior: frieza técnica.
Fotografei tudo.
Enviei para mim mesma.
Apaguei o histórico.
Quando