A decisão não veio em forma de conversa, veio em forma de documento.
Helena apareceu logo após o café, segurando o tablet com as duas mãos, como quem carrega algo que não pode ser discutido.
— O senhor Vellardi determinou a aplicação de um protocolo temporário — disse. — Preciso que você leia.
Não estendeu o tablet de imediato. Esperou que eu assentisse.
Li.
Era um texto curto, frio e objetivo. Falava em reorganização de funções, restrição de circulação, avaliação comportamental da menor e isolamento de estímulos considerados instáveis.
Meu nome aparecia três vezes.
— Isso não é temporário — falei.
— É revisável — respondeu Helena.
— Quando?
— Quando os indicadores apontarem estabilidade.
— Quais indicadores?
— Silêncio — respondeu ela. — Adaptação. Ausência de resistência.
Levantei o olhar.
— Aurora não é um sistema.
— É uma menor sob responsabilidade legal — corrigiu Helena.
Lorenzo entrou na sala naquele momento, não parecia tenso, não parecia em dúvida.
Parecia decidido.
— Esse pr